Em vigor desde o ano passado, a mudança no currículo escolar tem precarizado a formação e focado em viés tecnicista 

No próximo dia 15 de março os estudantes vão protagonizar o Dia Nacional de Mobilização pela Revogação do Novo Ensino Médio.

A Lei 13415 sancionada em 2017 que estabeleceu o Novo Ensino Médio a partir de 2022 tinha a promessa se instaurar uma maior autonomia para os estudantes com a flexibilização do currículo, que poderiam poderiam optar – em adição às disciplinas obrigatórias estipuladas na BNCC – por matérias de seu interesse com os chamados itinerários formativos.

Na realidade o que se viu foi a redução de disciplinas tradicionais, sobrecarga e desvio da habilitação dos professores, falta de estrutura de escolas nas diferentes realidades brasileiras, e a formação precária em matérias de curta duração.

“Além de tudo isso, foi uma medida autoritária que não manteve diálogo com a comunidade escolar, as entidades educacionais ou estudantis”, explica a presidenta da UNE, Bruna Brelaz.

O sucateamento do ensino, principalmente para os estudantes mais pobres é a principal preocupação da UNE e da Ubes. Escolas pequenas sem muitos estudantes podem acabar tendo que oferecer uma grade mais enxuta e nem sempre aquela que os estudantes optaram.

O viés tecnicista que visa formar o aluno em ao menos um curso técnico já nesta etapa educacional, priorizando a entrada no mercado de trabalho em detrimento ao pensamento crítico também é um ponto que as entidades levantam.

Apagão de professores

A desvalorização dos professores que a mudança aprofundou também uma é um ponto crítico para UNE. A queda no número de matriculados em cursos de licenciatura nos últimos anos foi maior do que a procura nos demais cursos. Segundo número do Semesp entre 2010 a 2020, o aumento de ingressantes em licenciaturas foi de 53,8%. Nos demais cursos, o número de calouros cresceu 76%. A queda pode levar o Brasil a sofrer um apagão de até 235 mil professores nas redes de educação básica nos próximos anos.

Além do desinteresse dos jovens em ingressar em licenciatura, o número de professores jovens em início de carreira (com até 24 anos) caiu quase pela metade (42,4%) de 2009 a 2021, passando de 116 mil para 67 mil professores com até 24 anos.

A baixa remuneração também é uma questão. Em 2020, um professor do ensino médio no Brasil recebia, em média, um salário de R$ 5,4 mil mensais, representando cerca de 82% da média geral da renda mensal das pessoas empregadas com ensino superior completo (R$ 6,5 mil).