Déficit de 2 milhões no orçamento da federal pode aumentar evasão do ensino
Estudantes da Universidade Federal do Mato Grosso ocuparam a reitoria da instituição em Cuiabá no último dia 28 de março.
No dia que o movimento estudantil relembra um dos seus principais mártires, o secundarista Edson Luís, morto há 55 anos na luta por assistência estudantil, os estudantes mato-grossenses mostraram sua disposição contra o corte de 400 bolsas de permanência. A ideia é pressionar a direção da universidade a recompor as bolsas.
“Afeta diretamente os estudantes e vai aumentar a evasão. Já estamos com muitas pessoas deixando os cursos com dificuldades neste período pós-pandemico e agora esses cortes vão piorar”, afirma a estudante de pedagogia Giovanna Fátima de Oliveira Bezerra.

Na última sexta-feira (24/3) a Pró-reitoria de Planejamento da UFMT reuniu os estudantes em uma audiência pública em divulgou um déficit de 2 milhões no orçamento. De acordo com o órgão os maiores gastos da universidade eram com o Restaurante Universitário e com as bolsas de assistência estudantil.
O informe foi que seria pauta na reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) e os estudantes teriam que fazer a dura escolha entre aumentar o valor do RU- que atualmente é R$ 2,50 – ou o corte de bolsas que afetaria cerca de 400 estudantes.
“Fizemos uma mobilização, dialogamos, mas os professores com 18 votos no Consepe foram contra a proposta estudantil de refazer uma comissão para avaliar se esses 2 milhões poderiam ser retirados de outro lugar. A proposta aprovada foi a cortes nas bolsas e recurso redirecionado para o RU”, conta Giovanna.

Ela explica que pelo fato de terem tirado recursos do Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) e terem direcionado para o RU que é a única política de assistência que atende a todos os estudantes da UFMT, os gestores afirma não houve corte.
“Eles tentam colocar como se nós estudantes não tivéssemos compreendido o que aconteceu. De imediato já nos mobilizamos e organizamos uma ocupação na reitoria”, diz a futura pedagoga.
A discussão foi para a reunião do Consuni, órgão máximo deliberativo da universidade e os estudantes perderam novamente. Dessa vez por 29 contra 10 votos.
Os alunos destacam a formação desigual dos órgãos decisórios. Tanto o Consuni e o Consep são compostos 70% por docentes, 15% técnicos e 15% estudantes. “Com cinco cadeiras em cada conselho não temos nenhuma voz neste espaço”, finaliza.
