As novas regras representam um corte de 46,17% do total da Assistência Estudantil na universidade 

Mais de 30 estudantes estão ocupando a reitoria do Campus Maracanã da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UERJ). A ocupação acontece desde dia 26 de julho, em resposta à publicação do Ato Executivo de Decisão Administrativa (AEDA) 0038/24, que tem sido chamado de “AEDA da fome”. 

Ontem (01/8) uma assembleia de mais de 300 estudantes decidiu participar de uma mesa de negociação com a Reitoria nesta sexta-feira (02/8) às 15h. “A reitoria está bem intransigente, e a nossa primeira reivindicação na mesa será a não pessoalização da ocupação, para que nenhum estudante seja criminalizado. A ocupação só termina com a revogação da AEDA que tira os nossos direitos”, contou o estudante de história e integrante do DCE, Marcus Calinçani. 

O documento, divulgado pela Pró-Reitoria de Assistência Estudantil, passou a valer ontem e cortou  bolsas e auxílios. São 46,17% de corte total da Assistência Estudantil na universidade. 17,69% no auxílio transporte; 54,13% nas bolsas de pós-graduação; 75,82% no auxílio alimentação.

Com a AEDA, o auxílio-alimentação, criado em 2021 durante a pandemia de Covid-19, tem o propósito de garantir a segurança alimentar dos estudantes foi extinto. O auxílio-material passa a ter uma redução de 50%. A bolsa permanência passa a ficar restrita aos estudantes que têm renda familiar de meio salário mínimo por pessoa. Antes, o valor era de até um salário mínimo e meio.

Segundo a própria UERJ, as novas regras excluem 1,2 mil estudantes, que deixam de se enquadrar nas exigências para recebimento de bolsas e já não receberão os recursos em Setembro. 

A UERJ foi pioneira na implementação de um sistema de cotas e tem um histórico de projeto inclusivo. Mas assim como outras estaduais pelo país, desde 2012 tem pedido socorro devido à falta de orçamento e autonomia.