6º Enune começa na UFF com a presença de lideranças negras de todo o Brasil
Sob o grito de “ a nossa luta é todo dia, os nossos corpos não são mercadoria”, honras aos ancestrais negros, à vereadora Marielle Franco, ao pai de família assassinado com 80 tiros há menos de um mês, o 6º Encontro de Negros e Negras da UNE começou nesta noite de sexta-feira (19/4) na quadra de Educação Física da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Estudantes de diversas universidades e coletivos do país estavam presentes junto com convidados das principais entidades do movimento negro nacional.
“Estar num espaço de negros e negras chama a gente a fazer desse espaço um lugar de refúgio e troca e para fazer isso precisamos parar e respirar”, iniciou a diretora de Combate ao Racismo, Dara Santanna.
Ela ressaltou como o Enune se consolidou como o mair espaço de convergência do movimento negro estudantil desde sua última edição e que não é a toa que pela primeira vez está sendo realizado no Estado do Rio de Janeiro, dono dos maiores índices de desemprego, e violência nacional.
“Um estado que mata muito, que nos criminaliza, também é o estado que os negros e negras vão se organizar. Que possamos sair daqui e seguir num processo de construção nossa, num processo de aquilombamento”, enfatizou.

A presidenta da UNE, Marianna Dias, ressaltou sua preocupação com a juventude negra nesse momento.
“Precisamos encarar esse espaço que o Enune promove para enfrentar o que temos vivido, sabendo que temos ainda acontecimentos perversos pela frente. Temos que falar sobre o espaço da universidade mais popularizada que está em risco, talvez daqui dois ou três anos não vamos conseguir realizar um Enune tão grande porque não terão tanto estudantes negros e cotistas dentro da universidade”, alertou. E completou: “ Mas com a certeza que a gente pode vencer, ainda que tenhamos Marielle, jovens negros mortos todos os dias pelo país, Lula preso, por eles precisamos resistir e nos levantar”.
Avanços e ações concretas
A representante do Coletivo de Entidades Negras (Conen) Luana de Souza, destacou a vitória dos estudantes que vieram de Minas Gerais até Niterói sem serem parados pela polícia “um ônibus com 40 negros dentro, já é uma vitória. Nosso corpo é um corpo político, nossa juventude política é resistência”.
Ela pediu objetividade para encaminhar ações deste Enune. “Temos que sair daqui com uma carta objetiva e específica, que a gente consiga voltar com retorno para as nossas universidades. Precisamos garantir políticas para a nossa permanência”.

A primeira mulher negra eleita vereadora de Niterói, Veronica Lima (PT), também ressaltou o simbolismo importante do Enune, como um marco de resistência da juventude da periferia.
“Para deter conhecimento precisamos adentrar nos bancos escolares e da pós-graduação. Nós avançamos tanto na consciência que para nós só política de compensação não basta mais. Política compensatória não, nós queremos é reparação, o estado brasileiro tem uma dívida histórica com o povo negro”.

Antiga militante da UBES, a vereadora destacou o avanço de negros nos movimento estudantil.
“Nossa luta nos recompensa com espaço de representatividade, tenho o maior orgulho de ser a primeira mulher negra na Câmara de Vereadores e chegar lá em propor o primeiro Estatuto de Igualdade Racial do Brasil”.
Edson França da UNEGRO, também destacou os avanços e a alegria de ver um encontro de negros e negras estudantes em vários níveis como pós-graduandos. “Vejo que nosso trabalho não está sendo em vão”. Ele pediu mais mediação e conversa com as pessoas no dia a dia para defender a politica de cotas. “Não podemos deixar Bolsonaro atacar os nossos pequenos direitos, a coisa mais densa que conseguimos foi o acesso nossos as universidade, e aqui a partir desse acesso há uma revolução silenciosa no Brasil, estamos mostrando que negro pobre de periferia pode ser doutor e doutora, pode falar inglês, francês, e vai ser sim a classe dirigente desse país”.
Sobre as cotas ainda a coordenadora Movimento Negro Unificado (MNU), Ieda Leal, foi enfática “ “cotistas, cotas é coisa de negro, cadeia para os fraudadores”.
