Atos políticos marcaram abertura da plenária do Coneb, culminância da 14ª Bienal da UNE
O ginásio Geraldo Magalhães, o Geraldão, no Recife, foi o palco, neste sábado (1º), de dois representativos atos políticos, realizados antes do início da plenária final do 16ª Conselho Nacional de Entidades de Base, o CONEB, na culminância da 14ª Bienal. O primeiro foi o ato Palestina Livre, que contou com a participação de Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil – Fepal.
“Quero começar agradecendo a solidariedade com o povo palestino, e no Brasil quem puxou isso foi a UNE e a UBES, bem como os DCEs e CAs”, afirmou Rabah, que fez um discurso emocionado trazendo os números do ataque israelense a Gaza, relatando as consequências do que chamou de “o maior extermínio de um povo da história”. São mais de 59 mil palestinos assassinados, o que equivaleria, proporcionalmente, a mais de 5 milhões de pessoas no Brasil.

Presidente da Fepal /
Foto: Brunno Martins

O presidente da Fepal falou ainda do assassinato de crianças e mulheres, incluindo grávidas, numa lógica que busca colapsar a capacidade reprodutiva de todo um povo. A isso se soma a destruição sistemática de hospitais e ataques a médicos. “A expectativa de vida caiu 45% na Faixa de Gaza. Para os homens, significou uma queda de 75 para 36 anos na média”, exemplificou, para dar dimensão ao tamanho da tragédia.
A presidente da UNE, Manuella Mirella, ressaltou como os estudantes brasileiros estiveram mobilizados pelo cessar-fogo em Gaza, com atos públicos e ações exigindo o fim de relações das universidades brasileiras com instituições israelenses. “O Estado de Israel precisa ser responsabilizado pelo genocídio”, disse.
Ualid Rabah exaltou ainda a capacidade de resistência do povo palestino, que há 78 anos é vítima de um projeto de substituição de população, citando a marcha de 500 mil pessoas que voltaram ao norte da Faixa de Gaza, destruída por ataques israelenses. “O povo palestino é indobrável!”
Pelo fim da escala 6×1
Outro ato que teve lugar neste sábado foi pela mobilização contra a escala de trabalho 6×1, com a participação de representantes da CUT, PT, PCdoB, PSOL, UP e Marcha Mundial das Mulheres.
Para Rick Azevedo (PSOL), vereador do Rio de Janeiro responsável por levantar o tema nas redes sociais, com a campanha ‘Vida Além do Trabalho’, o fim dessa escala de trabalho é sobre o direito à vida. O trabalhador precisa conseguir estar com a família, ter direito ao lazer e remuneração digna.
“O capital se apropria do nosso tempo, do nosso trabalho”, reforçou Ana Priscila, da Marcha Mundial das Mulheres, lembrando que para as mulheres, a escala é 7×0 pois dobram jornada cuidando de casa e da família. “O fim da escala 6×1 é também uma pauta feminista”, afirmou.

Manuella Mirella e Vereador Rick Martins / Foto: Bruno Caldas

A taxação de grandes fortunas também foi lembrada como demanda importante para a sociedade e os trabalhadores brasileiros. Por isso, será realizado em setembro um plebiscito popular para consultar a população sobre os dois temas, lembrou a deputada estadual de Pernambuco Rosa Amorim (PT).
Um ano de mobilização, com pautas que são muito caras para quem trabalha e produz a riqueza desse país, é o que se anuncia para 2025. E para isso a rua precisa ser o palco principal. Para o presidente da CUT-PE, Paulo Rocha, é preciso muita luta, pois “os poderosos deste país têm medo dos nossos sonhos”.
Por Felipe Mendes