Acadêmicos de Enfermagem e Direito foram pegos de surpresa com a mudança
O dia de ontem (25/02) estudantes do Amapá unificaram a luta pela vacina e pelo #ForaBolsonaro ao ato de protesto contra o fechamento dos cursos de Enfermagem e Direito no campus do Oiapoque da Universidade Federal do Amapá (Unifap). “Fizemos uma reunião ampliada e vamos organizar um calendário de lutas para que possamos barrar essa decisão da administração. Ontem recebemos um vídeo da bancada parlamentar do estado que afirmou destinaram 15 milhões para a Unifap e 5 milhões apenas para manter os cursos do campus binacional”, afirmou Geiza Miranda, diretora da UNE e coordenadora do DCE da Unifap.
Ela conta que a administração da universidade simplesmente decidiu transferir os cursos de Enfermagem e Direito do Campus da Binacional que fica na cidade de Oiapoque, extremo Norte do país, para o Campus Santana, no município de Santana, a mais de 500 km de distância.
“Todos foram pegos de surpresa, não houve nenhuma audiência pública com o município de Oiapoque, em nenhum momento os estudantes ou com nós representantes foram consultados. Foi uma movimentação muito arbitrária”, destacou Geiza.

Geiza Miranda, coordenadora do DCE da Unifap
A administração da Universidade argumentou falhas estruturais necessárias para o completo aprendizado técnico dos discentes em disciplinas de alta complexidade no município, a distância do campus da capital para realizar estágios, além do alto custo de mantê-los no Oiapoque.
“Mas em nenhum momento foi questionado se os acadêmicos tem condições de se deslocar até Santana”, afirmou. E continua: “O curso de licenciatura de química já foi retirado do campus de Santana por falta de laboratórios, por falta de amparo. Será que será diferente agora?”, questiona.
Estudantes indígenas serão mais afetados
São 8 cursos ofertados desde 2013 pelo campus Binacional, no município de Oiapoque que tem 25 mil habitantes, e fica na divisa com a Guiana Francesa.
O Conselho dos Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque se manifestou em protesto a mudança. A organização representativa dos povos karipuna, Galibi Marwono, Galibi kali’na e Palikur, hoje 30% da população da cidade, afirmou em nota que a Unifap parece não considerar a existência de alunos indígenas matriculados nos cursos em questão. E chamou a atitude de “morte dos sonhos”, ressaltando a instituição não leva em conta o histórico de luta pela educação dessa parcela da população, bem como deveria garantir o fortalecimento do campus para o desenvolvimento do município.
A mudança pode mesmo afetar a cidade toda, inclusive os secundaristas. “Com a retirada dos cursos como ficará a vida dos futuros universitários daquele município?” questiona a estudante Geiza.
O Conselho Indígena Missionário, órgão ligado a CNBB e a Associação Quilombola dos Remanescentes de Vila Velha também divulgaram notas de repúdio.