UNE quer mais orçamento para educação enfrentar problemas causados pela crise climática e criação da Universidade de Integração Amazônica
O recorde de queimadas em todo o Brasil evidenciam uma nova fase climática, em que os efeitos da seca e consequentemente do fogo não estão restritos mais às comunidades tradicionais, ou às regiões Amazônicas, Pantaneiras e do Cerrado. Agora que a fumaça pode ser vista e sentida de norte a sul do país, a urgência climática se tornou finalmente um problema nacional a ser enfrentado. E assim como as populações mais vulneráveis, os estudantes têm sido largamente afetados.

Só neste mês de Setembro, por causa da fumaça as universidades federal e estadual do Amazonas suspenderam as atividades presenciais; aulas foram suspensas em 28 escolas estaduais e na Universidade de Brasília(UnB) no Distrito Federal; em Goiânia, estudantes da rede estadual chegaram a passar mal dentro da sala, antes das aulas serem interrompidas. Ainda em Goiás, a Universidade Federal de Jataí, o Instituto Federal e a Universidade Estadual de Jataí também suspenderam as aulas.

No Mato Grosso do Sul foram mais de 18 mil estudantes sem aulas devido à densa fumaça que tomou conta da região. Em Rio Branco, no Acre, que chegou a registrar a pior qualidade de ar do país segundo a classificação da IQ Air, houve suspensão das aulas na rede municipal e estadual de ensino. Em todo o Acre foram mais de 100 mil estudantes impactados, alguns estão sem aula há duas semanas. Em Rondônia, foram suspensas todas as atividades escolares ao ar livre,como aulas de educação física e passeios, no Instituto Federal de Rondônia, nas escolas estaduais, além da redução da carga horária nas escolas da zona ribeirinha de Porto Velho.

No Amapá, um incêndio atingiu uma área da Universidade Federal do Amapá (Unifap) próximo à Casa do Estudante. As chamas se espalharam e foram para dentro da área da Escola Estadual Nancy Nina da Costa, no bairro Universidade, na zona sul de Macapá.

No interior de São Paulo, na cidade de Itú, escolas municipais, estaduais e creches foram paralisadas. Em Minas Gerais também houve interrupções nas aulas. No Rio Grande do Sul, a fumaça mudou a rotina dos estudantes que estudam as consequências da nuvem de poluição que resultou no fenômeno de uma chuva preta. Lá, os estudantes ainda lidam com os efeitos da enchente que lastimou o estado, e muitos ainda não tiveram as aulas normalizadas.

Para a presidenta da UNE, Manuella Mirella, é preciso enfrentar essa nova realidade. Para ela, assim como foi preciso as instituições de ensino se adaptarem com a pandemia, com protocolos de segurança equipamentos agora também será preciso pensar em uma nova rotina.
“Ar condicionado, máscaras, flexibilização de horários e dos currículos. Precisamos garantir segurança e o mínimo de prejuízo possível para os estudantes”, afirmou. Ela também defende que é preciso garantir orçamento necessário para universidades e escolas. “Recursos para assistência estudantil serão cada vez mais necessários para ajudar estudantes afetados pela seca e pelas queimadas”, afirma.
A UNE também defende que as instituições de ensino precisam da recomposição do orçamento para estar em pleno funcionamento para auxiliar a população e continuar fazendo seu trabalho. Durante a pandemia, as IFES mostraram seu valor com a produção de insumos e pesquisas,  durante a enchente no Rio Grande do Sul, também foram essenciais recebendo doações, produzindo estudos e abrigando pessoas. Nos biomas afetados pelas queimadas, a universidade já faz um trabalho imprescindível desenvolvendo vários projetos e pesquisas protagonizados por estudantes e cientistas da região de recuperação de áreas queimadas e na inovação de equipamentos.
“Por isso, a universidade é crucial no desenvolvimento de novas tecnologias e para liderar o processo de transformação ecológica e energética que o mundo precisa. A preservação e o desenvolvimento da Amazônia precisam estar sempre alinhados, priorizando os povos que ali vivem. Propomos para o governo a criação da Universidade de Integração Amazônica para atuar como catalisadora de desenvolvimento sustentável, conservação ambiental, cooperação regional e justiça social junto com os estados e países que integram a região”, finalizou.