Música de Chico César com letra de Carlos Rennó foi doada para estudantes; clipe deve ficar pronto no próximo mês
Aconteceu neste 21 de Abril, feriado de Tiradentes, a gravação do clipe Cotas abrem Portas da campanha da UNE, UBES e ANPG “Eu Defendo as Cotas, pela entrada e permanência na universidade” (defendoascotas.org.br) que tem movimentado no país a defesa das cotas, política afirmativa que deve ser revista pelo Congresso Nacional até o final do ano. O clipe vai acompanhar uma música composta e doada para as entidades estudantis pelo artista Chico César com letra de Carlos Rennó.
A gravação na Faculdade de Direito da USP no Largo São Francisco, centro de São Paulo, contou com a participação de estudantes cotistas de diversas universidades, e militantes de movimentos negros e sociais como Educafro, Unegro, UBM, MNU, entre outros.
“É muito emocionante contar com a participação de todos vocês que fizeram questão de estar aqui em pleno feriado para mostrar unidade na causa das cotas. Temos certeza de como essa política é essencial para termos a universidade diversa que temos hoje, e que precisamos continuar avançando ainda mais na democratização do ensino superior”, afirmou a presidenta da UNE, Bruna Brelaz.
Indígenas, Negros e Negras ocupado a USP
A certeza do momento crucial da revisão da lei de cotas, trouxe a juventude organizada de várias partes do país para por meio do clipe atuar na conscientização da sociedade para a importância das cotas e do direito à educação.
Samela Sateré Mawe, estudante de biologia e cotista da Universidade do Amazonas, veio de Manaus para a Sanfran para participar do clipe. “No meu estado a política de cotas só foi implementada em 2004 a partir de uma luta do movimento indígena. Em 2015 eu consegui entrar na universidade a partir dessa conquista, o que seria muito mais difícil sem as cotas”, contou.

Diretor da UNE, Tel Guajajara e Samela Sateré Mawe, estudante de biologia e cotista da Universidade do Amazonas
Para Natália Alves, estudante da Unirio e voluntária na Educafro, a união dos movimentos sociais no evento é muito importante porque cada movimento contribui para fortalecer a identidade do brasileiro “todo mundo se sente reconhecido nesse espaço”. E continuou: “acho que estar aqui na USP também é muito simbólico, porque a maioria das pessoas aqui não são pertencentes da USP e corpos negros ou indígenas aqui nesse território fissura essa realidade de opressão que é uma academia branca, hegemônica, que não nos quer aqui no lugar de estudante”.
Alex Minduím, presidente da Associação Nacional das Torcidas Organizadas do Brasil, também concorda com que as várias entidades reunidas na Sanfran além de demonstrar força, demostra a diversidade que é esse país. “É isso que precisamos ver dentro das universidades de elite do nosso país”. Ele destacou a posição que as cotas não só continuem nas universidades públicas, mas também as universidades privadas tem que ter essa responsabilidade de absorver jovens da periferia, sobretudo negros, indígenas, LGBTQI+. Para Minduím torcidas organizadas tem tudo a ver com educação, por ser um lugar que aglutina jovens de 14 a 30 anos e jovens que tem o sonho de ingressar no ensino superior.
Dois dias de filmagens
As filmagens aconteceram no dia 21 e 22 de Abril, e envolveram depoimentos e apresentações de dança.
De acordo com uma das produtoras, Camila Ribeiro, a ideia era retratar a conquista e as vitórias da política de cotas nesses últimos dez anos, que fosse tanto um documento histórico e um instrumento e disputa de opinião. “Mesmo depois de dez anos ainda ouvimos dizer que as cotas poderiam diminuir a qualidade de ensino e que poderiam piorar a universidade”, ressalta.
Por isso, a ideia do clipe foi mostrar a expressões que passaram a ocupar a universidade
para mostrar justamente como as cotas transformam não só o ensino, mas também transformam culturalmente a universidade.
“Aqui a Sanfran uma universidade muito tradicional de 1903, repleta de arte, tem pinturas, vitrais, uma arquitetura muito bonita, só que com aquela importação da cátedra de Portugal. Quisemos mostrar esse espaço com os novos sujeitos que ocuparam a universidade a partir as cotas. Expressões como a de dança do passinho, do funk, a capoeira, do vogue, e dança contemporânea que a gente trouxe no clipe”, explicou.
Para o diretor do clipe, parceiro de outras produções da UNE, Fábio Bardella, o processo de pesquisa antes das gravações foi transformador para que ele entendesse como uma parte importantíssima da história do Brasil não fazia parte da universidade antes das cotas. “O que me clareou foi que os cotistas raciais quando entram na universidade trazem também sua ancestralidade, e é isso que quisemos mostrar com algumas expressões de dança que são como entidades abrindo as portas das universidades”, contou.
A expectativa é que o clipe possa mobilizar a opinião pública dessa forma a favor das cotas e que os cotistas se vejam de alguma forma aqui representados. “Estamos trabalhando com elenco real de estudantes cotistas e a acho que a letra do Carlos Rennó ela nos ajuda a entender toda a importância da política e nos traz a reflexão”, afirmou.
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