Luta por assistência estudantil, abuso de aulas EAD, e organização estudantil foram principais temas de DCEs, CAs, DAs e Atléticas
No segundo dia de atividades da Caravana Clima de Futuro da UNE neste sábado (20), em São Paulo, cerca de 50 entidades de base do movimento estudantil se reuniram na sede das entidades na Vila Mariana, na capital. Estudantes de todo o tipo de universidade, vindos de várias regiões do Estado, trocaram experiências sobre os desafios e conquistas na organização estudantil.
Ermaiê Menezes, diretora de Comunicação do DCE Unilago de São José do Rio Preto conta que muitos colegas que vieram com ela, ainda não conheciam nenhuma atividade da UNE e a ideia foi buscar inspiração. “Trouxemos muitas pessoas que não conhecem ainda muito do movimento estudantil, alguns da Atlética de Comunicação e do DCE, e queríamos apresentar esse espaço para eles porque moramos em uma região muito conservadora, e às vezes sentimos que nunca vamos conseguir conquistar as coisas que queremos. O nosso DCE ele luta por coisas que deveriam ser obrigação na universidade como nossa luta maior no ano passado que conquistamos foi por um micro-ondas para esquecer marmita para comer”.
Se reconhecer entre outros estudantes de luta também foi objetivo de Ronaldo Santos, presidente do CA de Letras do IFSP – Câmpus Avaré, em participar da Caravana. Pela primeira vez num evento da entidade , ele afirmou que estavam felizes de poder pegar algumas ideias e repassar para sua turma. “A realidade do IFSP e principalmente do curso de Letras é que somos unidos, mas não no movimento estudantil. O movimento estudantil está crescendo ainda em Avaré, com atléticas, DAs, e temos um problema que ter que lidar com a extrema direita que comanda lá, então os movimentos sociais e estudantis ainda estão precisando se fortalecer”, explicou.

De uma realidade bem diferente o presidente do CA João Mendes Júnior, do curso Direito do Mackenzie, uma das instituições de ensino privado mais caras do Estado, Francisco de Assis de Souza Júnior, trouxe para a discussão a experiência das entidades estudantis mackenzistas em conseguir transformar a realidade lá através de parcerias. Como a luta pelo Restaurante Universitário, que ainda não existe, mas tem ganhado apoio. “Descobrimos ano passado que alguns bolsistas estavam trancando a matrícula porque estavam passando fome. Aí começamos essa luta grande que está sendo promovida pelo DCE Rubens Paiva e envolvendo outros CAs, e temos conseguido cada vez mais apoio buscando parcerias, atrás de emendas parlamentares, e conseguimos um retorno positivo. Estamos atualmente só dependendo do Mackenzie na questão do espaço físico”, conta.
Já a luta do estudante de jornalismo da Universidade de Sorocaba (Uniso), João Torres, parece universal nas instituições privadas presentes. “O que vivemos muito na Uniso e em todas as universidades privadas hoje é os 40% EAD, o aumento das aulas online. O estudante se matricula no curso presencial e ao longo do semestre vão aumentando as aulas online, sem desconto nenhum na mensalidade. Os estudantes estão cada vez menos vivendo a universidade, entrando em contato com os professores, tirando suas dúvidas”, explica.
Lá o caso tem piorado com o início da orientação de TCC online. ” Um professor orientador para dar conta de até cem estudantes. Algumas vezes o orientador não é nem da área”, reclama.
Para a diretora de Comunicação da UNE, Luíza Coelho, a principal contribuição da caravana é essa troca entre os estudantes. “Aqui a gente se reconhece nos problemas, e junta forças para buscar uma solução. São muitos calouros no movimento estudantil que estão começando agora a se organizar e esse é o caminho para atualizarmos a universidade pública brasileira”.
Juntos eles aprovaram uma moção em defesa da oferta de bolsas de permanência para todos os ingressantes aprovados no Provão Paulista. A decisão recente do governador de destinar essas bolsas exclusivamente para os ingressantes da USP tem causado preocupação. A União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), e a União Nacional dos Estudantes (UNE) entendem que as bolsas devem ser destinadas a todos os ingressantes do ensino superior público, independentemente da instituição em que forem matriculados. As atividades da Caravana Clima de Futuro em São Paulo, vão até quinta-feira (25/4) com o Festival Curto Circuito na USP. Acompanhe a programação.