Eventos mostram para comunidade o que produz as instituições de ensino e devem entrar para o calendário acadêmico
Depois do histórico 15 de maio com quase dois milhões de pessoas nas ruas em defesa da educação pública, os universitários têm se mobilizado em todo o Brasil para mostrar para a sociedade a verdadeira “balbúrdia” dentro das instituições de ensino.
No dia 17 e 18 de maio estudantes da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) ocuparam a Praça Ismene Mendes, na Tubal Vilela, e levaram todo o seu conhecimento para o evento “O que a UFU faz?”.
Os alunos levaram trabalhos, cartazes e informações sobre a instituição, como por exemplo números de atendimento dos hospitais PSO, veterinário e de odonto.
A área de biologia levou fósseis e animais silvestres empalhados para a aula ao ar livre.
“Conversamos com bastante gente simples que não fazia a ideia de como os cortes podem afetar diretamente a população, gente curiosa com os cartazes e que gostou de saber das pesquisas. Teve um momento muito legal, os garis que estavam varrendo a praça vieram ler nossos cartazes”, contou a estudante de Medicina Veterinária, Tatiane Marquini Ribeiro.
Estudante explica projeto em Uberlândia
Na avenida Paulista em São Paulo pesquisadores ocuparam a Avenida Paulista no domingo, dia 19 de maio, para compartilhar com a sociedade um pouco do que está sendo produzido nas salas de aula e laboratórios das instituições públicas de ensino paulistas.
“Fizemos o evento para mostrar que quem estava nas manifestações e quem continua querendo mostrar para população a importância da Ciência e Tecnologia e educação são os próprios cientistas. Não tem nenhum idiota útil”, destacou Mariana Moura do Instituto de Energia e Ambiente da USP, uma das organizadoras.
Para quem diz que os estudantes em luta não sabem nem a fórmula da água, a galera mostrou as últimas descobertas sobre o grafeno – que o presidente Bolsonaro gosta tanto, sobre alterações no clima, tratamentos de tumores, vacinas e fósseis, e doenças como leishmaniose.
De acordo com Mariana além da satisfação dos pesquisadores de mostrarem o seu trabalho “ajuda a gente a aprender a falar de uma forma que todas as pessoas tenham acesso, costumamos ter um palavreado só para a gente mesmo”.

Pesquisadores expõem seus trabalhos na Avenida Paulista
Eventos devem entrar no calendário
Em Ouro Preto, o DCE da UFOP resolveu transformar a calourada, um evento de cultura em um instrumento de luta pela universidade pública. “Fizemos uma discussão no nosso conselho de entidade de base, mais de cem estudantes presente aprovamos o Festival UniverCidade para o dia 18 de maio. Levamos ele para um bairro bem tradicional chamado Antonio Dias e ampliamos a programação para que incluísse a pesquisa e extensão”, contou a secretária-geral do DCE, Marcela Nicolas.
Na programação a exposição do Projeto mulheres cabulosas da UFOP, e projetos de extensão como o Cine Vila Rica e As mulheres do bordado. Além disso, os cursos de saúde da universidade também organizaram uma tenda de atendimento com aferimento de pressão, preventivo e descarte de medicamentos. A geologia mostrou os estudos sobre a situação de morar em áreas de risco, preocupação que é bem pertinente na região.
A parte cultural trouxe oficinas de teatro, forró, percussão entre outras.
Com a adesão da população e de tão legal que foi, o festival já tem a pretensão de entrar para o calendário estudantil.
“Precisamos transformar essas ações em algo que não seja apenas pontual contra os cortes, mas uma prática da universidade. Temos muita dificuldade de romper os muros da universidade, agora não só pelo movimento estudantil, estamos nessa ânsia por uma necessidade. Nosso objetivo é que o movimento não perca e que o festival vire uma prática nossa. Em vez de fazer calourada, vamos fazer festival”, destacou.
Em Belém o sucesso também fez os estudantes já pensarem em uma nova edição. A mostra científica Universidade na Praça reuniu quase 200 trabalhos na Praça da República, bem no Centro da cidade, no último domingo 19 de maio. Foram teses de conclusão de curso, projetos de extensão, iniciação científica, mestrado, doutorado entre outras da UFPA, UFRA e UEPA.

Estudantes de Geologia mostram seus trabalhos
Tudo isso para tirar as dúvidas dos cidadãos belenenses sobre o verdadeiro cenário dentro de uma universidade pública. “ A galera adorou. As crianças ficaram encantadas com todas as pesquisas e projetos. Todas as tendas estavam sempre muito cheias, domingo já é um dia que a praça tem bastante gente. A população de um modo geral adorou a ideia de conhecer o que é produzido nas universidades públicas e mostrou muito interesse”, afirmou uma das organizadoras Anna Mathis.

Mostra fez sucesso entre as crianças na capital do Pará