Leia o artigo da diretora de Movimentos Sociais da UNE, Marina Amaral, convocando os estudantes para o Dia Nacional de Atos e Mobilizações junto as Frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular no próximo 24 de Março:
A Operação Tempus Veritatis, deflagrada pela Polícia Federal no último dia 15 de fevereiro, na véspera do Carnaval, consolidou uma importante mudança na conjuntura política do país e abriu melhores condições para se avançar na luta pela devida punição a Bolsonaro e todos os golpistas, civis e militares, que ativamente conspiraram contra a democracia brasileira nos últimos anos.
Se, até então, as investigações e decisões do Supremo Tribunal Federal se concentraram nos militantes que participaram da fracassada tentativa golpista em Brasília, no dia 08 de janeiro de 2023, após a delação e o conjunto de provas oferecidas por Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, o foco passou a ser os Oficiais de alta patente e membros da antiga cúpula do Governo Federal.
Segundo informações da PF, ao menos seis Generais, incluindo o candidato a vice de Bolsonaro em 2022 e ex-Comandantes das Forças Armadas, discutiram com o ex-presidente a edição de um decreto e outros atos para impedir a eleição e, posteriormente, a posse de Lula. Augusto Heleno, então Ministro do GSI, afirmou que a ABIN estava até mesmo preparada para se infiltrar na campanha da esquerda. Segundo Cid, empresários como Luciano Hang (Havan) e outros também contribuíram para a elaboração das medidas golpistas.
A investigação sobre os Oficiais, entretanto, é o que mais chama a atenção. Em um país como o Brasil, marcado pelas transições “por cima”, que levaram, entre outros exemplos, à anistia dos oficiais assassinos e torturadores da Ditadura Militar de 1964, ao esquecimento e ao negacionismo histórico, os fatos das últimas semanas são muito significativos.
Estamos diante de uma grande oportunidade, que pode influenciar de maneira positiva a dinâmica da correlação de forças entre a esquerda e a extrema-direita no país. Reconhecendo a gravidade da situação, Bolsonaro busca reagir e por isso convocou para o próximo dia 25 de fevereiro, uma manifestação nacional, na Avenida Paulista em São Paulo, que conta até o momento com a
confirmação de três governadores – Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO), Jorginho Mello (SC) – 92 parlamentares e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes.
O ex-presidente tentará demonstrar força e capacidade de mobilização da sua base, organizando caravanas de todas as regiões do país, além de buscar fortalecer a falsa narrativa de que está sofrendo uma perseguição implacável por parte da “Ditadura do Supremo”. Se Bolsonaro terá sucesso em seus objetivos, agora sem o aparato do governo para potencializar suas manifestações, não é possível afirmar de antemão. Mas este não é um momento para especulações. Cabe à esquerda definir a sua linha política em meio a estes acontecimentos.
O que fazer neste momento?
Entendo que, em primeiro lugar, precisamos exigir do STF o aprofundamento das investigações até a punição exemplar de todos aqueles que atuaram para golpear o regime democrático no Brasil, sejam eles civis ou militares. Não pode haver anistia ou concessões. Nem pode haver espaço para intimidações, como aquelas proferidas pelo General Mourão na Tribuna do Senado. Essas medidas serão determinantes para impedir que essas ameaças voltem a acontecer. Mas para atingir esses objetivos, não podemos transferir todas as responsabilidades a Alexandre de Moraes e assistir passivamente das nossas casas a atuação da Polícia Federal. Embora o Judiciário deva cumprir com o seu papel, a esquerda tem a responsabilidade e o dever de ocupar as ruas para pressionar e garantir o cumprimento desses objetivos.
A ida às ruas, neste momento, também se faz necessária para impor uma derrota política à extrema-direita, ainda antes das eleições municipais, que serão igualmente decisivas para o futuro do país. Não podemos esquecer que a combinação entre uma possível vitória de Trump nas eleições presidenciais dos EUA e um avanço da extrema-direita nas eleições de outubro pode piorar ainda
mais a situação política no Brasil. Nesse sentido, no dia de ontem, dia 20 de Fevereiro, foi tirado pelas Frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, um importante encaminhamento para nosso calendário de luta: o dia 24 de Março como Dia Nacional de Atos e Mobilizações, marcando os 60 anos do golpe militar no Brasil, e reafirmando “Golpe Nunca Mais: Prisão para Bolsonaro”.
Assim, a UNE, que desempenhou um papel de primeira importância nas mobilizações pelo Fora Bolsonaro e em defesa de “Vida, pão, vacina e educação”, durante a pandemia, pode novamente contribuir de maneira decisiva para a construção de grandes atos de rua ao lado das Frentes e mobilizando o conjunto de estudantes brasileiros para voltar a disputar a hegemonia da esquerda nas ruas!
Sem anistia e sem perdão. Prisão para Bolsonaro e os Generais golpistas!
*Marina Amaral é diretora de Movimentos Sociais da UNE.