Defesa da democracia, meio ambiente e repúdio a tortura também foram reivindicados pelos estudantes
O terceiro tsunami pela educação que levou cerca de 1,5 milhão de pessoas as ruas de todo Brasil no último dia 13 de agosto, extrapolou a luta pela educação e mostrou sua diversidade: luta pela democracia, meio ambiente e o repúdio a tortura foram algumas das pautas que surgiram em meio às manifestações.
‘’O movimento estudantil é plural e se caracteriza não só por estar à frente de assuntos relacionados à educação, mas também de assuntos caros ao povo brasileiro como um todo’’, explicou o presidente da UNE Iago Montalvão.
Meio-ambiente
A preservação do meio-ambiente é bandeira dos estudantes. Durante o 57º Congresso, realizado no último mês de julho em Brasília, a discussão esteve presente. O ex-presidente da UNE ex-ministro do meio ambiente no governo Lula Cláudio Langone chegou a dar uma entrevista ao site da UNE falando sobre os retrocessos ambientais na era Bolsonaro.
‘’Estamos vivendo um processo de retrocessos expressivos na área ambiental em função que esta área hoje está sob comando de pessoas mais ligadas ao agronegócio e tem um setor mais atrasado do agronegócio que não vê a importância da questão ambiental para a inserção no mercado internacional’’, afirmou.
O Brasil possui algumas das maiores reservas naturais do planeta e tem atuação histórica no debate ambiental entre as nações, liderando movimentos como o da Eco92 e Rio+20. Porém, os rumos políticos na área não têm sido satisfatórios.
O desmatamento na Amazônia tem sido uma das principais polêmicas no último mês, depois que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou o aumento de 88% da devastação na região em junho se comparado ao mesmo período do ano passado.

Estudantes amazonenses saíram em defesa do meio ambiente
Previdência
A abrangência da luta estudantil também atingiu a previdência. Em milhares de cidades foi possível encontrar faixas e cartazes que diziam não à reforma proposta por Jair Bolsonaro e seu ministro da economia, Paulo Guedes.
O assunto também foi discutido nos últimos encontros estudantis como o 67º Coneg e o 57º Conune.
‘’O debate sobre a previdência não tem a ver só com os aposentados ou com os que pensam em se aposentar em curto prazo. É um assunto que tem a ver com que serviço público o Estado deve oferecer à sua população, com que tipo de seguridade deve ser oferecida. Se os jovens não lutarem hoje, a aposentadoria corre sérios riscos’’, lembrou o presidente da UNE.

Tsunami no Ceará contra a reforma da previdência
Memória e justiça
Em 11 de junho, o presidente Jair Bolsonaro decidiu exonerar 11 peritos que integravam o Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT). O decreto, publicado no Diário Oficial, também extinguiu os cargos comissionados que garantiam remunerações dos peritos.
As entidades em defesa dos direitos humanos se manifestaram em contra a exoneração. À época, o grupo Justiça Global denunciou o presidente à ONU.
Para a UNE, a postura do presidente é lamentável.
Na manifestação do dia 13 de agosto, estudantes vestiam camisetas e empunhavam cartazes com a foto de Fernando Santa Cruz, em homenagem ao estudante da UFF desaparecido na época da ditadura militar.
Fernando foi alvo de ataques por parte do presidente Jair Bolsonaro direcionados para o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, filho do desaparecido. “Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade”, disse Bolsonaro.

Bandeira em homenagem à Fernando Santa Cruz na Avenida Paulista, em São Paulo