Líderes políticos e estudantis destacam a importância da mobilização popular para enfrentar a extrema-direita e garantir direitos sociais no Brasil
O primeiro debate deste 16º Coneb da UNE, que iniciou nesta quinta-feira (30/1) no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda, discutiu a conjuntura política atual falou sobre as consequências da crise do capitalismo que tem sangrado trabalhadores no mundo todo.
Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara (SP) ressaltou em sua fala que o mundo fez uma guinada à direita, que criou condições para a retomada do fascismo no século 21, consequência de uma crise do capitalismo, que trouxe a retomada do conceito de estado nacional, xenofóbica, racista e uma agenda conservadora.
E aqui o bolsonarismo é a expressão do fascismo nacional. “Não há nenhuma tarefa nesse momento mais importante a derrota do fascismo no Brasil”, pontuou. E para isso é preciso disputar a consciência de classe estando juntos fisicamente dos trabalhadores. “Não existe consciência de classe sem educação, presença e organização das periferias”.
E foi enfático em afirmar o papel do movimento estudantil nessa cruzada, representando a esperança da juventude. “Nenhum embate político no Estado brasileiro foi vencido sem a participação da UNE”.

Foto: Pedro Caldas
Papel dos estudantes e dos movimento sociais
Para Tiago Santos, da Unidade Popular, a tarefa de derrotar a extrema direita no brasil passa por exigir e prisão de bolsonaro e todos os generais golpistas, de 08 de Janeiro, de 2016 e do golpe militar de 1964. “Tenho certeza que a UNE de Honestino Guimarães vai exigir a punição de todos, que tem as mãos sujas de sangue das heroínas e heróis brasileiros”, afirmou.
Para Santos, o caminho é ocupar as ruas. E deu exemplos de mobilização como contra a escala 6×1, da luta pelo piso da enfermagem, da ocupação de super mercados contra a tentativa de alterar o prazo de validade dos produtos para venda.
Maíra do MST, vereadora no Rio de Janeiro (PT-RJ), concorda com o conceito da crise do capitalismo, que se mostra todo dia na área social, ambiental política, econômica, que assola sobretudo os mais pobres. E se traz elementos que sentimos no Brasil como a superexploração da classe trabalhadora “A precarização do trabalho, a escala 6×1, o arrocho dessa juventude que está entregando Ifood na moto, pegando bike do Itaú para trabalhar sem saber se vai chegar vivo em casa”, explicou.
Para a o jovem vereadora é muito importante fortalecer as prioridades dentro do governo, mas ao mesmo tempo construir uma frente popular dentro da frente ampla para combater o fascismo dentro da sociedade brasileira.
“Fazemos isso, organizando a base das universidades, os movimentos sociais e construindo condições para que a agenda que nós elegemos nesse governo consiga de fato emplacar”. Para a parlamentar a unidade das forças políticas progressistas vai ser o que vai fazer esse país voltar a respirar diante da ameaça da extrema direita.

Foto: Pedro Caldas
União estudantil
Para Mateus Gomes, os estudantes presentes tem uma grande responsabilidade estando a frente das entidades de base, dos CAs, dos DCEs, e nesse Coneb uma oportunidade de pensar quais são os nossos desafios daqui para a frente, um caminho não apenas para a juventude, mas para o conjunto dos movimentos sociais, para a população trabalhadora que é de onde vem a maioria dos estudantes e a partir daí fazer com que UNE possa liberar um processo político de mobilização social, de enfrentamento a essa agenda. “É muito bonito ver essa mesa partindo de acordos, e ver um plenário, cantando uníssono e apontando a possibilidade da gente sair daqui unificado nessa agenda”, afirmou. E lembrou que já presenciamos um governo Fascista que a UNE enfrentou com um tsunami da educação, em 2019.
Diante da unanimidade das falas sobre o cenário mundial dramático, Luciano Siqueira, ex-preso político e ex-vice prefeito de Recife, defendeu intensificar a mobilização de base e a mobilização estudantil nas universidades, ir além das redes sociais, sem perder o contato com as pessoas olhos nos olhos .“Liderem, se destaquem, debatam, participem, dos conclaves, congressos, seminários, mas, por favor, não abandonem a sala de aula”, clamou. Segundo ele, esse é o caminho mais fácil para um líder estudantil perder a liderança.
Texto: Cristiane Tada

Foto: Pedro Caldas