Mostra de Música celebra diversidade sonora e transforma estudantes em protagonistas da cena cultural
O maior festival estudantil da América Latina é encontro, é política — e também é música. A programação da 14ª Bienal da UNE trouxe uma Mostra de Música intensa e diversa, com oficinas, vivências e shows voltados aos mais de 10 mil estudantes que participaram do evento em Pernambuco.
“Uma grande celebração da cultura brasileira”, definiu Akemi Okamura, coordenadora da Mostra de Música. Ela destacou a diversidade de estilos presentes nas atividades, que passaram pelo hip hop, brega funk, música eletrônica e rock, entre outros. As atrações foram selecionadas por um time de quatro curadores em um processo marcado por diálogo e análise cuidadosa de cada projeto inscrito.
Entre os destaques, uma roda de samba com Maria Pagodinho e o debate “Sons dos becos: como a música de rua define a cultura contemporânea”, com nomes como o músico e pesquisador Silvério Pessoa, o produtor e radialista Vlad Urban, Naara Santos (produtora do Paço do Frevo), Negra Jaque (artista e secretária da Hip Hop do RS) e Bione.

Banda Jovens Idosos (CE) estreou na Bienal Foto: Vitória Oliveira @Vitolivr
A Mostra também teve um caráter formativo. A DJ IDLIBRA, uma das selecionadas, conduziu a vivência “Mixagem criativa para DJs”, na qual compartilhou técnicas e experiências com os estudantes. De forma prática, ela ofereceu orientações sobre identidade sonora e domínio técnico, incluindo o uso de equipamentos e softwares.
Além de assistir, os participantes puderam praticar. Foi o caso de Ícaro de Paiva Rocha, da UFG. “Quando vi essa oficina achei perfeito para o que estou querendo”, contou. Interessado em produção musical digital, ele saiu da experiência empolgado: “Foi inspirador”.
Akemi Okamura celebrou o impacto das atividades formativas. “É lindo ver os estudantes se encantando pela produção musical com profissionais tão sensíveis e qualificadas”, comemorou.
Estreias e sonhos no palco da Bienal
Outro ponto alto da Mostra foi a apresentação de artistas iniciantes que encararam o palco da Bienal como uma consagração.
A banda Jovens Idosos, de Fortaleza, fez sua estreia fora do Ceará no evento. Juntos desde 2021, os integrantes celebraram a chance de tocar em Recife. “Surtamos quando descobrimos que íamos arrumar as malas e ir para Recife”, disse Gabriel Houdini, vocalista do grupo.
A cantora Letícia, da UFRJ, trouxe amigos na plateia que fizeram barulho acompanhando sua performance. A estudante compartilhou um pouca da sua história com a música. “Foi na pandemia que comprei um violão e foi o que salvou minha vida.” Ela contou ainda que a experiência teve um gosto especial: “Sou fissurada em Nação Zumbi, então como uma boa fã eu já estava preparada para vir, mas não imaginava que ia ser selecionada. Tô muito feliz!”

A cantora Letícia da UFRJ foi uma das selecionadas da Mostra Foto: Vitória Oliveira @Vitolivr
Por Felipe Mendes e Cristiane Tada