Participação efetiva do movimento estudantil é destacada como peça-chave para garantir permanência e dignidade nas universidades públicas.

Nesta quinta-feira, 18/7, a programação de debates do 60º CONUNE contou com uma discussão essencial para o presente e o futuro da educação pública: “Quem entrou quer sair diplomado: a luta pela regulamentação do PNAES e a garantia de mais políticas de combate à evasão estudantil”. A mesa aconteceu no Pátio da Comunicação da UFG e reuniu importantes vozes do movimento estudantil, da política institucional e da militância em defesa da permanência estudantil.

O debate contou teve a presença de Roberta Cassiano (professora e coordenadora geral do SINTIFRJ), Murilo dos Santos Brito (bacharel em direito e assessor parlamentar), João Pedro Boechat (coordenador da Juventude de Niterói), Dandara Tonanztin (deputada federal do PT) e Vinicius Soares, presidente da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos).

Representando a ANPG, Vinicius Soares destacou a urgência de organizar uma grande jornada de lutas para que o Estado brasileiro cumpra seu papel de garantir permanência e oportunidade à juventude. “É muito difícil a gente fazer luta política… precisamos lidar com nossa vida pessoal, os deveres dos cursos, mas nós precisamos fazer a luta política”, afirmou. Ele alertou ainda para o momento histórico vivido pelo país: “Ou a gente vai por um caminho de entrega das riquezas nacionais, de exploração do povo trabalhador e sucateamento da universidade, ou a gente vai por um caminho de reconstrução do país.”

A deputada federal Dandara Tonanztin celebrou os avanços conquistados com a criação da comissão de regulamentação do PNAES, o Programa Nacional de Assistência Estudantil, mas lembrou que a presença ativa dos estudantes será fundamental para transformar essa vitória formal em políticas concretas. “Vai ser muito importante a presença do movimento estudantil e das outras entidades agora nessa comissão de regulamentação do PNAES. Essa é uma vitória muito grande do movimento estudantil”, afirmou. “Queremos ver isso agora na materialidade, na concretude.”

Foto: @vitolivr_

A luta pela regulamentação do PNAES é histórica e faz parte da pauta prioritária da UNE. O programa, criado em 2008, é hoje a principal política de permanência para estudantes das instituições federais. No entanto, sua execução ainda depende da vontade dos governos de plantão, o que gera instabilidade orçamentária e dificuldades práticas para os estudantes mais pobres. Por isso, a regulamentação do PNAES como política de Estado é central para garantir que quem entra na universidade pública tenha condições reais de concluir sua formação.

O debate reafirmou o papel da UNE na defesa da educação pública, gratuita, inclusiva e de qualidade. Ao lado de entidades como a ANPG e de parlamentares comprometidos com a pauta estudantil, a União Nacional dos Estudantes segue impulsionando a mobilização para transformar o direito à permanência em realidade para todas e todos. 

*Por Mayra Bortone