Projeto aprovado em 2013 vai contra a ideia da universidade pública para todos e todas
A discussão que durou quase uma década na Faculdade de Economia e Administração da USP (FEA) pode ter chegado ao fim na última terça-feira (19). Isso porque a instituição finalizou a instalação de catracas para o controle de acesso ao prédio, mesmo contra a vontade dos estudantes. O projeto, que teve início em 2011, sempre foi rechaçado pelo corpo estudantil, com protestos, abaixo-assinados e reuniões com a administração.
‘’ Não faz sentido ter catracas em uma universidade pública, muito menos em uma universidade de humanidades como a FEA. Ali não tem equipamentos caros, o que poderia ser uma justificativa. Por isso, essa atitude apenas dificulta o fluxo dentro da universidade, impede que algumas pessoas entrem, causa uma burocracia que vai atingir estudantes e funcionários todos os dias’’, avaliou a presidenta do Centro Acadêmico Visconde de Cairu (CACV), Ana Paula.
Outra crítica feita pelos estudantes diz respeito aos gastos com o projeto. Segundo nota publicada pelo CACV, ‘’as catracas foram aprovadas no auge da crise financeira da USP, de saída e aposentadoria de professores, e portanto, momento em que o próprio funcionamento corrente da universidade estava em cheque’’.
NÃO É A SOLUÇÃO
Uma das justificativas para a instalação de catracas é o aumento da segurança no campus.
Porém, de acordo com dados da Superintendência de Segurança da USP, no Instituto de Química (IQ-USP), local com catracas funcionando, a quantidade de casos de furtos qualificados é muito similar à FEA-USP, onde ainda não havia catracas.
Dentro do prédio do IQ-USP foram registrados oito casos de furtos qualificados desde 2015, enquanto na FEA são nove. Na área externa, onde não existem catracas, o número dobra: nas proximidades da Química, são 24 ocorrências de furto qualificado, enquanto nas proximidades da FEA foram 16 casos.
‘’Vamos fazer manifestações e temos uma assembleia marcada para a semana que vem. Queremos exigir ao menos algum tipo de flexibilização, já que as catracas estão se tornando um problema: estudantes estão perdendo ônibus ou chegando atrasados devido às enormes filas que se formam’’, falou a presidente do CAVC.
Na próxima segunda-feira (25) haverá uma roda de conversa intitulada ‘‘Prestação de contas sobre as catracas” com a participação do diretor da FEA Fábio Frezatti.