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Contra pichações racistas, estudantes ocupam reitoria da UFSM

24/11/2017 às 13:22, por Renata Bars.


Símbolos nazistas e frases preconceituosas foram inscritos na parede do Diretório Acadêmico na última terça-feira (21)

O preconceito e a intolerância levaram cerca de 50 estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, a ocuparem a reitoria da instituição na manhã desta sexta-feira (24) como forma de protesto e resistência. Pichações racistas apareceram nas paredes do Centro Acadêmico, na última terça-feira (21). Esta é a segunda vez em menos de três meses que manifestações de ódio e apologia ao racismo acontecem na universidade.

”Hostilizar as pessoas negras é uma das facetas do racismo mais cruel, porque afeta totalmente a auto estima e com isso a possibilidade de luta contra os retrocessos. Essa ofensiva conservadora é uma tentativa da manutenção dos privilégios da classe dominante”, destacou o estudante de Filosofia da instituição e membro da coordenação geral da UEE-Livre RS, Aleff Fernando.

OCUPAÇÃO

A ocupação da reitoria é uma iniciativa dos movimentos negro e estudantil, que pretendem unir forças para conquistar medidas efetivas contra o racismo por parte da direção da intituição. Entre as reivindicações dos manifestantes estão o acompanhamento da reitoria na apuração e punição imediata para os casos de racismo, a implementação de disciplina obrigatória em todas as áreas do conhecimento sobre cultura e história afro brasileira segundo a lei 10.639, a reserva de vagas na Pós-Graduação para pessoas negras, indígenas, quilombolas, trans e portadoras de deficiência, e a criação de um Centro de Referência ao Estudante Negro, com ouvidoria especial para casos de racismo.

Mylena Larruscain, representante do CUCA da UEE Livre e conselheira pelo DCE da UFSM no CONSU, enfatizou a urgência da reitoria tomar medidas quanto aos fatos ocorridos. “Hoje foram suásticas desenhadas na parede, amanhã pode ser um estudante negro espancado até a morte aqui dentro desse campus. Que acontecimento a reitoria vai esperar para só assim tomar alguma medida concreta no combate ao racismo e ao fascismo que está crescendo nessa universidade?”, questionou.

Em entrevista ao jornal local Diário de Santa Maria, o reitor Paulo Burman “reiterou que este é um ato racista e covarde e não se trata de uma ação isolada. Ele afirmou que entende o sentimento de medo dos alunos e que a UFSM está tomando todas as providências, via comissão de sindicância e ouvidoria, para identificar os autores das frases.”

Segundo os estudantes, a ocupação seguirá até que haja um posicionamento oficial da Reitoria acatando as demandas solicitadas.

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