Edição de 2023 comemora 20 anos do maior fórum feminista do Brasil

A abertura do 10º Encontro de Mulheres da UNE no Teatro Central de Juiz de Fora, na noite de 07 de Abril emocionou com uma bancada de mulheres entre a diretoria da entidade e convidadas.

“Lutaremos por uma reforma universitária feminista, antirracista e colorida!”, diretora de mulheres da UNE, Carol Azevedo, leu o manifesto desta edição e declarou aberto o encontro que acontece de forma presencial depois de 4 anos.

Foto: @nassueiro

Um jogral lembrou as mártires do movimento estudantil que vieram antes e lutaram pela democracia do país e pelos avanços na luta feminista.

A presidenta Bruna Brelaz, lembrou dos 20 anos da diretoria de mulheres e da construção do maior fórum feminista do Brasil. “Aqui reunimos os mais diversos coletivos, os movimentos históricos das mulheres brasileiras e as forças políticas que compõe a UNE. É por conta dessa geração de mulheres nesse último ano que lutaram que a universidade foi popularizada”, afirmou.

Foto: @kboughoff / UNE

A vice-presidenta da UNE, Júlia Aguiar, destacou o acúmulo da luta feminista dentro da entidade com uma mesa diretora e uma diretoria executiva majoritariamente feminina.

“Talvez o que conseguimos construir o que é mais valoroso durante o EME é essa unidade dentro de nós, que a gente possa olhar nos olhos, na diversidade de crenças, de raças, e encontrarmos um ponto em comum”.

A secretária-geral da UNE, Isis Mustafá, lembrou da perseguição do desgoverno passado às mulheres e a educação brasileira. “Nosso desafio é construir um país que tenhamos direito à vida, e para isso precisamos acertar as contas com a nossa história. Esse encontro tem que reafirmar nossa luta por Bolsonaro na cadeia!”.

Violência ainda é maior entrave na formação feminina

O manifesto do 10º Eme da UNE lembra que, não por acaso, quase ao mesmo tempo que aconteceu o primeiro encontro das mulheres estudantes da UNE, há mais de 25 anos as mulheres são maioria nas universidades. Em 2023 mulheres representam 62% dos inscritos no Sisu. Em 2020, 838.152 mulheres ingressaram em uma universidade e 518.339 concluíram a graduação. Os homens, por sua vez, 668.996 tiveram acesso ao curso superior e apenas 359.890 se formaram.

Mas a formação delas nunca deixou de ser um desafio. A permanência nas universidades está em constante ameaça: por falta de recursos e prioridade para a assistência estudantil, moradia, vagas em creches, falta de bolsas ou ameaça da violência.

Foto: @kboughoff

Pesquisa inédita do Instituto Avon de 2015, mostrou que entre as universitárias 67% disseram já ter sofrido algum tipo de violência (sexual, psicológica, moral ou física) praticada por um homem no ambiente universitário.

A presidenta da UNE, lembrou da estudante assassinada e violentada dentro da Universidade Federal do Piauí em Janeiro deste ano.

“Nós não podemos permitir que mais Janaínas se silenciem, não podemos permitir que mais Janaínas da Silva não realizem os seus sonhos”.

Para as estudantes que vieram de várias regiões do país para participar do Eme, a ameaça as suas vidas dentro do campus continua sendo a principal preocupação das mulheres estudantes.

Ana Beatriz, estudante de Ciências Sociais da UnB, contou que na maior instituição de ensino do DF atualmente a falta iluminação dentro do campus tem incomodado.

“Ano passado teve um caso de estupro na Faculdade de Educação e com muito custo conseguimos luz em alguns pontos específicos, mas ainda sim, a universidade é muito insegura. Foi colocado botões de emergência em lugares específicos, mas não funciona.”

Ana Beatriz, estudante da UnB

Ariane Domborovski, estudante de administração da UFPR e diretora de mulheres da União Paranaense de Estudantes veio em uma caravana de 42 estudantes no Paraná. Ela destacou a violência institucional que as estudantes são acometidas. “Temos muito caso de assédio, abuso psicológico, emocional, não só por parte dos alunos homens, mas por parte dos professores e a própria instituição é conivente com esse tipo de situação”.

Ariane Domborovski, estudante da UFPR

Giovana Ferreira, estudante de história da UFBA, concorda e afirma que a luta das estudantes hoje é garantir o conforto para ir à aula. “As política [ de segurança] colocadas pelas universidades hoje são políticas de defender o patrimônio e não defender a vida das mulheres que acessam o campus todos os dias”, afirmou.

Giovana Ferreira, estudante da UFBA