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Combate à opressão de jovens e de gênero é tema no 15º Coneb

09/02/2019 às 17:26, por Aline Campos .


Especialistas apontam para uma criminalização das lutas por direitos

Nesta quinta-feira (07), primeiro dia de debates no 15ºConeb, na UFBA, em Salvador, uma das mesas de debate abordou o tema “Políticas públicas para a juventude, mulheres e combate a opressões”. A mesa foi mediada por Denilson Santos, estudante do IFSP (Instituto Federal de São Paulo) e ex-presidente da USES (União Soteropolitana dos Estudantes Secundaristas).

Mary Castro, professora da UFBA, iniciou o debate pontuando a necessidade de que as políticas sociais e de juventude estejam combinadas para ampliar “a bolha dos indignados”. ”Pela ordem deles, pelo progresso deles e nós sempre acreditamos nessa ordem e progresso que não é para nós”, disse se referindo às atuais autoridades.

Ainda, a professora lembrou que é preciso investir nos saberes para combate à opressão de jovens, mulheres, negros e comunidade LGBT. No quesito gênero, para ela, abordar esta questão com a juventude não é doutrinar, pelo contrário, abre a possibilidade para que o jovem encontre seu próprio modo de vida em um mundo que os confronta com padrões normativos.

“Sabem muito bem do poder do conhecimento se esse for um conhecimento crítico e desqualificam saberes necessários como o feminismo, o movimento negro e o movimento LGBT”, afirmou.

A secretária executiva da juventude de Recife, Camila Barros, destacou que “os casos e acasos” que aconteceram recentemente já deixam claro qual é a situação da atual conjuntura política: “Estamos vivendo uma criminalização das lutas por direitos, e isto reflete diretamente nas políticas públicas de juventude, com a diminuição de recursos na área da Educação”.

Camila cita o projeto do atual ministro da Justiça e Segurança Pública, como um risco às juventudes negras, periféricas e às mulheres: “O desafio é confrontar esse genocídio contra um Estado que institucionaliza isso”, falou.

Claudiane Lopes, do Coletivo de Mulheres Olga Benário, também compôs o debate. Jornalista e ex-diretora da UNE, deu destaque ao que representa a flexibilização do porte de armas para as mulheres brasileiras: “Arma dentro de casa não é segurança para as mulheres, é ameaça, é feminicídio. É importante dizer que essa arma tem cor, tem classe, tem gênero. As pessoas que têm dinheiro para comprar armas são ricas, brancas e são homens”, concluiu.

Dados da ONU apontam o Brasil como o quinto país que mais mata mulheres no mundo. Para Claudiane, leis como Maria da Penha são importantes, mas sozinhas não resolvem se não houver aparato do Estado e políticas públicas que protejam as mulheres de fato.

“Nenhum direito foi conquistado somente com canetada, toda conquista é fruto de movimentos populares. Não permitiremos a retirada dos nossos direitos nem a morte de mulheres, trans, lgbts e negros”, enfatizou.

“Precisamos falar de uma nova geração que tem mulheres liderando grandes mobilizações!”, salientou a coordenadora do Coletivo Quilombo e ex diretora de movimentos sociais da UNE, Taíres Santos. A jovem relembrou a primavera secundarista e o movimento “Ele NÃO!”, que mobilizou os 27 estados brasileiros, ambos com mulheres à frente.

Quanto às medidas já tomadas na gestão do atual presidente, Taíres alertou: “Estamos vivendo um atual governo que em seu primeiro mês extinguiu os ministérios da Cultura e do Trabalho, e retirou as diretrizes ligadas à população LGBT”.

“Não vamos esquecer da juventude encarcerada do Maranhão que deu um show no ENEM deste ano. Eu acredito na educação como ferramenta de transformação não no extermínio”, em complemento à questão de segurança pública, Walmyr Jr que é dirigente do Coletivo Enegrecer e ex-conselheiro nacional de juventude, ressaltou que a redução da maioridade penal bem como o encarceramento de jovens não é o caminho para o desenvolvimento social.

“É preciso discutir necropolítica. O que o corpo negro morto vale para o Estado e o que a invibilização do corpo negro vale para o Estado? Nos esquecem e quando não nos esquecem nos matam”, falou.

Ao final, frisou a importância de reinvenção da praxe revolucionária e do diálogo cotidiano no “cafezinho da esquina, na manicure, ou o com o vizinho”. Para Walmyr, não se pode esquecer de estar onde a classe trabalhadora está.

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