Projeção acontece neste sábado (25) e é uma prévia da 14ª Bienal da UNE que acontecerá de 29 de Janeiro a 02 de Fevereiro com participação da diretora Vera Egito em debate 

O longa-metragem “A Batalha da Rua Maria Antônia”, dirigido por Vera Egito, será exibido neste sábado (25/01), às 17h, no cinema mais charmoso de Recife, o São Luiz. A sessão é promovida pelo Circuito Universitário de Cultura e Arte (Cuca) como parte das ações preparatórias para a 14ª Bienal da UNE, que ocorre entre 29 de janeiro e 2 de fevereiro.

A diretora participará de um debate sobre o filme no dia 31 de janeiro, durante a Bienal, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda. “A minha expectativa é de dialogar e ouvir. Acho que é sempre uma surpresa ouvir as gerações novas, sempre tem um olhar inesperado. Acho bonito esse encontro que o filme pode promover, inclusive de tecnologias e de cinema”, destacou. 

E afirmou: “É sempre bonito ver o movimento estudantil mobilizado. Por mais que se passem por momentos difíceis, é difícil ser movimento social no Brasil, mas é sempre festivo. Também espero isso, uma injeção de energia e de esperança”. 

O filme, uma ficção baseada em eventos históricos, retrata os confrontos ocorridos em outubro de 1968 na Rua Maria Antônia, em São Paulo, entre estudantes da Faculdade de Filosofia da USP e da Faculdade Mackenzie. O embate resultou na morte do secundarista José Guimarães e no incêndio do prédio da USP.

Inspiração para o longa

A ideia do filme surgiu durante os anos de universidade da diretora. “Tudo começou quando eu ainda era estudante e estava na USP. Essa história ainda reverberava muito lá. Nessa época eu vim morar na região do Centro, e a Rua Maria Antônia passou a ser presente também. O Centro Cultural Maria Antônia ainda está lá com a sua memória, e a Mackenzie também do outro lado da rua, com algumas alterações, mas ainda é um prédio histórico”, conta Vera Egito.

A diretora destaca que os eventos de 1968 representam “a última noite da inocência”. “Os estudantes representaram essa última crença de que é possível fazer política de uma maneira consciente, pacífica, com fé e crença na democracia, e sofreram as consequências”, reflete. Para ela, as semelhanças entre os processos históricos e os acontecimentos recentes no Brasil, como o golpe de 2016 e os eventos de 8 de janeiro, são evidentes. “A gente aprendeu que as coisas vão acontecendo e a gente vai se dando conta aos poucos. A institucionalidade vai sendo desfeita pelos golpistas de uma maneira até paulatina”.

Incentivo à produção universitária

Egito também enfatiza a importância de fomentar a produção audiovisual entre estudantes. “Eu acho que temos que entender os mecanismos de incentivo e como a gente pode fazer parcerias. Você pode ter uma produtora mais experiente e projetos mais jovens. É importante que essas vozes ganhem espaço para a gente entender que essa parcela da população movimenta a vida política brasileira nesse lugar da paixão e da doação”, afirma.

Para Vera, festivais como a Bienal da UNE podem se tornar espaços ainda mais inclusivos e produtivos. “A partir desse festival, por exemplo, poderiam ser organizados laboratórios de desenvolvimento de projetos, onde se tem tutores para ajudar a desenvolver ideias. Muitos festivais ao redor do mundo fazem isso. Você escreve seu projeto, e se for selecionado, tem a oportunidade de desenvolver o roteiro e criar um desenho de produção para participar de editais”.

Com a exibição de “A Batalha da Rua Maria Antônia” e o debate com Vera Egito, a UNE espera inspirar novas vozes do cinema e do movimento estudantil. “Tenho certeza que tem muitos estudantes querendo escrever, fazer filme, documentário e fazendo mais sem acesso. Porque é uma época da vida que a gente tem pouco acesso, mas se tem uma coisa que não falta no Brasil, é gente dedicada e querendo fazer”.

Por Cristiane Tada