A Unidade dos Estudantes Contra a Ofensiva da Extrema-Direita e em Defesa de um Movimento Estudantil Democrático!

A rede do movimento estudantil tem construído, ao longo dos anos, uma forte conexão na defesa dos direitos do nosso povo. Por isso, a União Estadual dos Estudantes do Rio Grande do Norte tem como centralidade em seu projeto a unidade dos estudantes contra a ofensiva da extrema-direita e em defesa de um movimento estudantil democrático. A defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade está intrinsecamente ligada à construção de um país soberano, justo e verdadeiramente democrático. As entidades estudantis têm, portanto, o papel histórico de reafirmar que o verdadeiro verde e amarelo é o do povo brasileiro, que sonha com uma vida digna, livre das desigualdades e da exclusão social.

A ascensão da extrema-direita e o avanço do bolsonarismo não começaram em 2018, mas resultam de um longo processo de corrosão democrática, disseminação do ódio e ataque à educação pública. O projeto conservador implementado nos últimos anos teve como um de seus principais alvos as universidades e os institutos federais, com cortes bilionários, sucateamento da estrutura e perseguição ao movimento social e estudantil. Mas aqui, nesta terra, resistimos. Construímos um movimento estudantil combativo, capaz de levar às ruas mais de 100 mil estudantes e trabalhadores em defesa de uma nova perspectiva de país — um Brasil que invista em educação, ciência, tecnologia e inovação.

O Rio Grande do Norte é símbolo de resistência e produção de conhecimento. A UFRN, maior universidade pública do estado, enfrenta hoje o desafio da falta de recursos para manter seus programas de extensão, pesquisa e assistência estudantil, fundamentais para o desenvolvimento social e científico do RN. A principal luta dos estudantes e que deve ser uma bandeira da UEE é a diminuição do preço do restaurante universitário, que hoje custa R$8,00, um dos mais caros do Nordeste dentre as federais de ensino.

A UFERSA, com presença forte no interior e na formação técnica e científica voltada ao semiárido, sofre com a precarização das suas estruturas e a redução de verbas que comprometem o funcionamento pleno de seus campi.

A UERN, patrimônio do povo potiguar, é uma das maiores expressões da interiorização do ensino superior público e, mesmo diante das dificuldades orçamentárias e da falta de valorização dos servidores, segue sendo um pilar importante para inserção da juventude na universidade.

Já o IFRN, referência nacional na educação técnica e tecnológica, sofre com a dificuldade de se consolidar como uma instituição de ensino superior e que precisa de um investimento contínuo para torná-la pertencente às necessidades dos estudantes. As nossas instituições são o coração da produção de conhecimento no RN e, por isso, defendê-las é defender o futuro do nosso estado.

O IFESP é uma instituição estadual de ensino superior, que embora tenha sido fundada para capacitar servidores da educação, em seus últimos processos vem expandindo seu público, para pessoas envolvidas em projetos sociais, ex-alunos de EJA e ex-alunos do Edgar Barbosa.

Com essa expansão a discussão sobre a permanência estudantil se tornou prioridade para o movimento estudantil por não ter nenhuma bolsa de assistência como também por falta da sua independência financeira é desencadeado problemas como uma simples manutenção de banheiros, que estão geralmente interditados.

Fruto da mobilização do movimento estudantil, conquistamos a Lei de Cotas e sua renovação, a aprovação do Plano Nacional de Assistência Estudantil após mais de 10 anos de tramitação na Câmara dos Deputados e Deputadas e hoje defendemos a sua regulamentação, aprovamos o programa Pé-de-Meia para as licenciaturas e a redução da carga horária do ensino a distância e a sua regulamentação. Contudo, precisamos discutir a ampliação do Pé-de-Meia para geral, visto que hoje o acesso é limitado e não supre as nossas demandas na universidade. Por isso, precisamos fortalecer esse, que é o maior projeto de investimento à assistência estudantil da atualidade, mas que ainda é insuficiente frente a realidade posta.

Com esse legado, a UEE reafirma, assim, seu compromisso com uma agenda concreta de lutas e conquistas. Defendemos com firmeza a manutenção da destinação dos 10% do PIB para a educação pública, como forma de garantir financiamento adequado e estável para todas as etapas do ensino hoje ameaçadas pela proposta do novo Plano Nacional de Educação apresentado para a Câmara dos Deputados. Os 10% do PIB e os royalties do petróleo para educação são conquistas de muitas gerações do movimento estudantil e não podem estar sob ataque. Lutamos pela imediata recomposição orçamentária das universidades e institutos federais, com mais bolsas, infraestrutura digna e condições reais para estudar, pesquisar e viver. Reafirmamos também a importância de transformar o PIBID em lei, tornando permanente uma política essencial para a valorização da formação docente e a qualidade da educação básica no Brasil.

Nos comprometemos com a luta pela aprovação das cotas trans e com a ampliação das políticas de ações afirmativas, porque acreditamos em uma universidade inclusiva, diversa e representativa, que tenha em sua essência a vida real do nosso povo. Lutamos, ainda, por uma estrutura de qualidade nas universidades com salas climatizadas, acessibilidade, moradia estudantil, alimentação e transporte porque educação de qualidade exige condições dignas para existir.

Seguiremos firmes na luta contra o aumento abusivo das mensalidades nas universidades privadas e contra o poder dos tubarões do ensino, que tratam a educação como mercadoria e os estudantes como fonte de lucro. A mercantilização do ensino superior tem transformado o sonho da graduação em um produto caro e inacessível, precarizando o trabalho docente e esvaziando o sentido público da educação. Por isso, lutamos por regulação, transparência e responsabilidade nas instituições privadas, pela ampliação de bolsas e pela defesa da permanência estudantil em todos os espaços.

A UEE também reafirma seu compromisso com a luta pelo direito à cidade e pela implementação do passe livre estudantil, uma pauta histórica dos estudantes. Garantir transporte público e gratuito para estudantes é assegurar o direito de estudar, de circular, de ocupar e de transformar os espaços das cidades em que vivemos. É reconhecer que o acesso à educação não se limita à sala de aula, mas passa também pela possibilidade de chegar até ela com dignidade. O direito à cidade é, portanto, o direito de existir plenamente nela com mobilidade e segurança. Por isso, seguiremos mobilizados na defesa de políticas públicas permanentes de transporte estudantil gratuito e na construção de uma cidade que caiba os sonhos da juventude.

2025 se encerra com a construção de um magnífico congresso desta gloriosa entidade e 2026 se aproxima com desafios e particularidades de um ano eleitoral. Nesse caminho, sinalizamos a necessidade de construir um programa de educação para as eleições de 2026, protagonizado pelos estudantes e em diálogo direto com o povo potiguar. A UEE deve rodar todo o Rio Grande do Norte com uma plataforma eleitoral que apresente o projeto de educação que queremos, pautada por uma educação pública, democrática e comprometida com o desenvolvimento regional e com a soberania nacional.

Essa jornada será um grande processo de escuta e mobilização, que unirá as nossas universidades, os institutos, centros e diretórios acadêmicos e principalmente os DCEs na formulação coletiva de propostas que culminem no nosso projeto em defesa de uma reforma universitária à altura das necessidades do nosso tempo. O direito à cidade e à educação caminham juntos: só com transporte público acessível, permanência estudantil e investimento na educação será possível garantir que a juventude entre, permaneça e saia com diploma na mão.

Os desafios são muitos, mas a nossa coragem seguirá lado a lado com a classe trabalhadora e com os estudantes para colocar fim à escala 6×1, que atinge diretamente a juventude e a submete a um projeto neoliberal de sucateamento das nossas vidas e precarização do trabalho. Defendemos a taxação das grandes fortunas como caminho para financiar políticas públicas estruturantes e garantir investimento massivo em educação. Somente assim poderemos avançar rumo a um projeto nacional de desenvolvimento que tenha como centro a justiça social e não as desigualdades. Queremos estudar, trabalhar e viver com dignidade, em um país que valorize a juventude e assegure oportunidades reais para o nosso povo.

Acima de tudo, reafirmamos nossa defesa intransigente da democracia. Acreditamos que nenhum avanço é possível sob o autoritarismo e que a defesa da democracia é, ao mesmo tempo, a defesa da educação, da liberdade de pensamento e da soberania nacional. O movimento estudantil seguirá sendo trincheira contra a extrema-direita e qualquer outro tipo de ameaça à paz plena do povo potiguar.

A União Estadual dos Estudantes do Rio Grande do Norte segue comprometida em ser o instrumento de luta, unidade e esperança da juventude. Porque o futuro do Brasil passa pelas mãos daqueles que sonham e lutam por ele todos os dias.

Viva a UEE-RN, viva o movimento estudantil potiguar e viva a democracia!