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Caravanas chegam em Salvador e reencontram o Brasil na Bienal

06/02/2019 às 17:27, por Renata Bars e Natália Pesciotta Foto: Henrique Silveira.


Estudantes de norte a sul contam sobre a viagem, os sonhos e as expectativas para o maior festival estudantil da América Latina

‘’Andar com fé eu vou que a fé não costuma falhar’’, já dizia Gilberto Gil. E como ele é o grande homenageado desta 11ª Bienal, os estudantes pegaram emprestada a fé de Gil e botaram o pé na estrada, enfrentando o cansaço, os perrengues e  noites sem dormir para chegar em Salvador e construir o maior festival estudantil da América Latina.

Do Paraná, a galera da Unioeste sabe bem o que é atravessar o Brasil. Foram três dias de viagem com direito a seis horas de busão quebrado, em Salinas, Minas Gerais. Mas, nem tudo é dificuldade. Ali na cidadezinha os estudantes receberam a hospitalidade do Bar do Anderson, com direito à chuveiro grátis e caixa de som para animar o tempo parado.

‘’Ele foi maravilhoso, nos tratou super bem. E mesmo nessa situação difícil, nós estávamos unidos, um ajudando o outro para chegarmos bem à Bienal’’, contou Luís Antônio, estudante de Matemática.

Valentina, estudante de Serviço Social conta que essa é sua primeira vez na Bienal e primeira viagem para fora do sul do país.

‘’A viagem foi cansativa, mas estamos aqui. É muito bom ver os estudantes juntos, vários gritos de luta, é muito legal’’, falou.

Estudantes da Unioeste, Luís Antônio, Saira, Valentina e Sabrina chegam ao alojamento da Bienal

Direto do Mato Grosso do Sul, Glauber Porchman, acadêmico de Artes Visuais da UFMS, também chegou para sua primeira Bienal.

‘’Foram quase dois dias de estrada, mas estar entre amigos e conhecer a galera foi muito divertido’’, disse.

Para ele, além das atrações da Bienal, o debate de gênero entre os estudantes é muito importante.

‘’Acho que é uma pauta fundamental e que deve ser mais debatida nas universidades. A questão racial também e da educação no geral vieram na bagagem. Lá na UFMS temos muitos cursos de licenciatura, então esse é um assunto recorrente’’, explicou.

Glauber e Kemilin, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS)

Secundas na Bienal

Nesta edição, a Bienal vem com uma surpresa: secundaristas e pós-graduandos estarão juntos com os universitários pela primeira vez. Em Salvador também acontecem o 4º Encontro Nacional de Grêmios da UBES (ENG) e o 8º Encontro Nacional de Pós-Graduandos da ANPG (EPG).

Victória Madeira, do Rio de Janeiro, é uma das estudantes que vieram prestigiar o ENG e a Bienal. Há dois dias ela não deita numa cama nem toma banho. Mas não tem dúvidas de onde queria estar: “Assim que foi divulgado o evento da Bienal unificado com Encontro Nacional de Grêmios, eu decidi que estaria aqui em Salvador hoje”, afirmou a carioca sorridente de 18 anos.

Só faz alguns meses que a jovem conheceu o movimento estudantil, depois de um grande movimento contra o assédio no Pense, o colégio onde ela fazia cursinho, que ganhou as ruas do Rio. Hoje ela vê a importância de se reunir com outros milhares de estudantes do Brasil no seu primeiro encontro nacional. “Principalmente pela conjuntura do país”, explica.

Nesta quarta (6/2) ela saiu direto do ônibus para o Encontro Nacional de Negros e Negras da UBES (ENNUBES) que já acontecia na Universidade Federal da Bahia (UFBA) – e preferiu nem tirar fotos por enquanto. “Foram 30 horas no ônibus, preciso tomar um banho antes”, riu.

Já Camila Pedrosa, apesar dos seus 18 anos, é experiente no movimento estudantil e sabe que o fato de ter conseguido um ônibus para chegar na UFBA já é uma vitória. Ela participou do diálogo com o Instituto Federal do Maranhão, onde estuda, para conseguir o transporte de 45 pessoas do Maranhão para a Bahia. Sem falar nas rifas e pedágios que garantiram a alimentação pelo caminho.

Até duas semanas atrás a maranhense não sabia se sua delegação teria motorista ou gasolina, por isso via com emoção todos ali sendo protagonistas do ENNUBES. “A gente sabe como é importante  a juventude negra, nordestina e periférica ocupar estes espaços de construção do movimento”, comemorou.

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