Motivados pela desgoverno Bolsonaro, estreantes no movimento estudantil falam sobre a experiência no seu primeiro encontro da UNE
O 59º Congresso da União Nacional dos Estudantes (Conune), encerrado neste domingo (16/07), foi histórico, mas especialmente marcante para os diversos estudantes que participaram pela primeira vez do evento. É a geração que aguardou ansiosamente por esse que é o maior e mais representativo encontro político da juventude brasileira, depois que a pandemia de Covid-19 impediu que a última edição acontecesse presencialmente.
É o caso de Júlia, Hugo, Valentina e Luana, estudantes de diferentes cidades do Brasil que têm em comum não só o engajamento no movimento estudantil, mas também o fato de terem estreado no Conune e de estarem levando de volta para casa nas malas uma das maiores experiências da vida. Conversamos com esses jovens, de diferentes forças políticas que compõe a entidade, para saber qual a avaliação da participação no evento.
Confira abaixo o perfil e as respostas dos cinco estreantes do Conune:
Luana Pereira – Salvador (BA) – 26 anos – cursa Geologia na UFBA – integra o Movimento Bloco na Rua.
“Ingressei no movimento estudantil no período Bolsonaro. Eu não queria ficar sem fazer nada, queria me movimentar e ajudar a tirar aquele ******* do poder. Assim, ingressei na UJS. Participar do meu primeiro Conune foi muito interessante e maravilhoso. Foi interessante ouvir também as oposições, ouvir as ideias deles, e isso me faz querer continuar na minha militância.”.
Valentina Spedine – Campinas (SP) – 21 anos – cursa Ciências Sociais na Unicamp – integra o movimento Correnteza.
“O que me trouxe para o movimento estudantil foi a indignação de sentir que a universidade ainda é muito limitada, que o nosso povo é gigantesco e que a gente tem milhares e milhares de jovens que têm sonhos, mas que não tem a possibilidade de cumprir esses sonhos. O Conune foi uma experiência muito potente, muito interessante. É no último dia que a gente vê o resultado do acúmulo de todos os dias do debate do Congresso. É onde a gente consegue visualizar, de fato, como os movimentos estão se propondo a construir a UNE, quais são as políticas que estão construindo, e isso dá uma visão, em nível nacional mesmo, de quais serão os próximos passos e os próximos caminhos da disputa que vai se formar para o próximo período. É uma experiência muito intensa, muito interessante e, definitivamente, muito formativa.”
Júlia Chaves – Brasília (DF) – 23 anos – cursa Comunicação Organizacional na UnB – integra o movimento Levante Popular da Juventude.
“Ingressei no movimento estudantil em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro. A gente subestimou o fato de ele poder ser eleito, e ele foi eleito. Então, foi um omento em que a gente estava se posicionando e eu percebi que precisava participar do movimento estudantil. Esse é o meu primeiro Conune e as atividades foram muito importantes. A gente teve debates muito interessantes aqui na UnB. Eu acho que a organização precisa de mais momentos como esse. Por mais que seja cansativo e às vezes desorganizado, ainda assim é muito importante estar ali debatendo com os estudantes, entendendo o que as pessoas estão sentindo, as questões de cada estado. Acredito que esse seja um momento histórico mesmo, com a retomada do governo Lula, com um governo de esquerda que a gente consiga pautar a educação da forma que a gente quer.”

Hugo Almeida – Ribeirão Preto (SP) – 26 anos – cursa Direito na Faculdade Reges – integra o movimento Juntos.
“O governo Bolsonaro aflorou ainda mais essa ânsia de militar. Conheci a UNE nesse período, através de estudos sobre a ditadura. É o meu primeiro Conune e eu estou gostando muito. Estou conseguindo aprender sobre diferentes perspectivas do Brasil e pontos de vistas políticos. Estou achando muito construtivo, para quando eu voltar para a cidade onde eu moro e para a faculdade onde milito. É muito bom esse contato, conhecendo os obstáculos e dificuldades que as pessoas têm nas suas cidades. Eu, que sou de Ribeirão Preto, é curioso aprender que no Brasil de 2023 ainda existem lugares que são esquecidos.”
Por Erikson Walla