Convidados destacaram importância da UNE e da juventude nas ruas, na defesa da soberania e na articulação das lutas sociais 

Muita agitação na primeira noite (12) do 59º Congresso da UNE, no Centro Athos Bulcão da UnB, em Brasília. Após a abertura, e a homenagem ao presidente da UNE assassinado pela ditadura militar, Honestino Guimarães, iniciou outro momento: um ato político em defesa da democracia.

O mote foi o enfrentamento ao autoritarismo e ao discurso de ódio no Brasil e teve como convidados o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, o ministro da Justiça Flávio Dino, o deputado federal Orlando Silva, e a reitora da UnB Márcia Abrahão.

O ministro do STF iniciou sua fala com muito barulho de parte da plateia que o cobrou pela suspensão da lei que cria o piso salarial dos enfermeiros.

Ministro do STF, Luis Barroso / Foto: Yuri Salvador

Barroso respondeu destacando que vivemos uma democracia e que percorremos um longo caminho para que as pessoas pudessem se manifestar da forma que quisessem. E defendeu a necessidade de diálogo mesmo na divergência. “Quem tem argumento, quem tem razão, quem tem a história do seu lado, coloca argumentos na mesa, não xinga e não grita, esse é um passado recente do qual estamos tentando nos livrar”, ressaltou.

Plateia Conune /Foto: Junior Lima @xuniorl

O representante da corte máxima também relembrou seu passado de estudante de direito. “Às vezes as lutas parecem invencíveis, quando entrei na faculdade nós tínhamos ditadura, tortura e nós conseguimos trabalhar pela democracia e pela anistia ampla geral e irrestrita quando ainda estávamos no movimento estudantil, conseguimos trabalhar pela Constituição de 1988 e agora mais recentemente conseguimos resistir a um golpe de Estado que estava a caminho”.

‘Vingador’ dos estudantes defendeu união contra o fascismo

O ministro da Justiça, velho conhecido da entidade, foi uma das presenças mais aguardadas pelos estudantes. Flávio Dino afirmou que só é possível falar em democracia se falarmos de combate a desigualdade social e afirmou que essa é a questão principal de divide a democracia da direita.

“Deve ter umas vinte correntes aqui, mas todo mundo aqui é contra a desigualdade e a favor de um país mais justo e da distribuição da riqueza, e de um país que as políticas públicas cheguem a todas as pessoas, tem vinte correntes aqui, mas todo mundo é contra o fascismo, contra o golpismo e contra a extrema direita”, destacou. E continuou: “ tem vinte correntes aqui, mas todo mundo é favor de uma educação pública gratuita e de qualidade para todos os filhos do Brasil”.

Ministro da Justiça Flávio Dino /Foto: @imatheusalves

E alertou que a democracia no País continua em risco e é preciso seguir na mobilização social. E ressaltou que mais forte que a extrema direita é o povo na rua, a juventude na rua e a UNE fortalecida “tendo coragem para enfrentar essa gente”.

O ministro desceu do palco e foi cercado pelos estudantes que davam vivas ao Maranhão, estado natal de Dino, que acabou tendo muita dificuldade para sair da multidão.

Reitora e deputado destacaram papel da UNE nas ruas

A reitora da UnB, Márcia Abrahão, defendeu o fim da lista tríplice na escolha de reitor, uma lei que aprofunde as cotas sociais e raciais no país, bem como uma legislação para o Programa Nacional de Assistência Estudantil. E lembrou dos desafios superados no último período e pediu que os estudantes continuem juntos da defesa das IFES. “Hoje nós estamos aqui porque a ciência permitiu que estivéssemos sem máscaras e vivos, e porque vocês foram para as ruas com a gente para que as universidades não fechassem”.

Reitora Márcia Abrahão /
Foto: Yuri Salvador

Já o deputado federal pelo PcdoB-SP, Orlando Silva, falou sobre o desafio das entidades estudantis de construírem durante o Conune uma agenda que impulsione mudanças na nação. “A eleição de Lula foi muito importante, mas agora vem a parte mais dura, a mais difícil, porque o lado de lá elegeu uma grande bancada no Congresso Nacional e nós vamos precisar da UNE para nas ruas defender a ciência, a educação, a universidade, mas falar sobre os temas que interessam o nosso povo”. E citou como exemplo uma articulação contra o marco temporal, em defesa dos povos indígenas.

“Para o governo cumprir uma agenda mais avançada é necessário que haja luta política”, finalizou.

Por Cristiane Tada