Alimentação do encontro estudantil está sendo toda produzida pelo movimento com alimentos orgânicos vindos da agricultura familiar

Diante de um banquete repleto de frutas no meio do refeitório do 59º Congresso da UNE nesta sexta-feira (14/7) os estudantes e trabalhadores do MST reafirmaram sua união pela luta da reforma agrária.

Banquete de frutas / Foto: @uiseepitacio

O ato celebrou ainda a primeira vez que toda a comida do encontro estudantil está sendo feita para pela cozinha do MST produzida por pequenos produtores de forma orgânica e sem veneno.

Cozinha do MST produziu comida do Conune / Foto: @kboughoff

A presidenta da UNE, Bruna Brelaz, agradeceu a disponibilidade do MST em produzir a comida dos estudantes. “Que a nossa luta por comida decente e orgânica seja uma luta que entre pelo RU, e faça da reforma agrária uma luta dos estudantes”.

As falas dos presentes foram em defesa da tentativa de criminalização no movimento com uma CPI, instaurada no Congresso Nacional há dois meses, que nada descobriu em desagravo aos trabalhadores até agora. A vice- presidenta da UNE, Júlia Aguiar destacou a ação como “uma demonstração de quem tem medo da organização social”.

E afirmou: “a UNE é uma entidade estudantil, mas tem o compromisso com a luta de toda a classe trabalhadora, e portanto com a luta do MST”.

Foto: kboughoff

A secretária-geral da entidade, Isis Mustafá, destacou que a luta pela reforma agrária é por justiça, dignidade, igualdade, exploração desenfreada das riquezas do país, e pelo trabalho.

E ressaltou o poder das entidades unidas: “estudante junto com movimento social, movimento de moradia e o MST é capaz de governar esse país se a gente quiser”.

A deputada federal pelo PSOL-SP, Samia Bonfim, concordou com a vice UNE. “Essa CPI do MST é uma farsa que busca no tapetão reverter o resultado eleitoral”. Para ela os perdedores das urnas das últimas eleições presidenciais querem seguir disputando a narrativa, criminalizando a esquerda e os movimentos sociais. E chamou de “agrogolpismo” os financiadores dos atos de 8 de Janeiro, entre eles os grandes nomes do agronegócio brasileiro, ligados a soja, que são os mesmos por trás dessa CPI.

Comida dos estudantes / Foto: @uiseepitacio

A deputada estadual mais jovem de Pernambuco pelo PT, diretora de cultura da UNE nesta gestão, Rosa Amorim, afirmou que a liberdade da terra não é assunto de lavradores, é de todos aqueles que se alimentam da terra. “A paz no campo tem nome e é reforma agrária”.

Rosa afirmou que o latifúndio, o agronegócio, o bolsonarismo perdeu as eleições e agora toma o MST ade ataque. E provocou: “sabe o que vão encontrar? Um movimento que é vital para o povo brasileiro porque a comida que comemos todos os dias, vem da reforma agrária, e não do agronegócio que nunca que produz nada vai para a mesa dos brasileiro”.

Ela destacou que uma das bandeiras principais do MST junto com o lula é fazer que o brasileiro coma três vezes por dia ou mais. “E para isso precisamos aumentar a produção de alimento e de muito sem terra para produzir”.

Bruna Brelaz /
Foto: @uiseepitacio

Renata Menezes, da direção nacional da Juventude do MST, agradeceu toda solidariedade que vem sendo construída nesse momento de ataques e foi taxativa ao afirmar que não existe possibilidade de democracia no país enquanto não houver reforma agrária. “Estamos sendo perseguidos porque esse pais é fundado na divisão injusta de terras, no latifúndio que explora os nossos corpos e nosso bem comum”, esclareceu.

E destacou o compromisso histórico com a luta dos povos que vivem no campo. “Hoje a UNE se posiciona historicamente do lado daqueles que estão produzindo alimentos, contra a fome e por uma produção de alimentos saudáveis”.

UNE troca de bonés com a chefe da cozinha do MST, dona Jovina / Foto: @kboughoff