Convidadas de diversas espectros políticos, vereadoras, parlamentares e ativistas se reúnem com estudantes de todo o Brasil até domingo (1/12)
O 11º Encontro das Mulheres Estudantes (EME) da UNE, que começa hoje 2911) na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) em Mossoró (RN), vai reunir estudantes de todo o Brasil para refletir sobre os desafios e as estratégias para fortalecer a luta feminista. Entre os temas centrais estão os benefícios da auto-organização das mulheres, o enfrentamento ao patriarcado e a violência. A deputada estadual Isolda (PT-RN) e a militante da Marcha Mundial das Mulheres, Miriam Nobre, convidadas do fórum, abordaram a importância da coletividade e da radicalização política para transformar a sociedade.
O papel da política institucional
Para a deputada Isolda, radicalizar a luta feminista significa ocupar os espaços políticos institucionais enquanto se enfrenta as desigualdades de gênero, o fascismo e o neoliberalismo. Ela reforça que as mulheres enfrentam sobrecarga por acumular o trabalho remunerado e o trabalho de cuidado, ambos desvalorizados.
“Radicalizamos ao lutar pela redução da jornada de trabalho – que hoje está pautada na escala 6×1 que para as mulheres é ainda mais intensa- e por uma política nacional de cuidado, que reconheça e redistribua as responsabilidades domésticas e familiares. Apostamos na economia feminista, na agricultura familiar agroecológica e no enfrentamento às invasões de nossos corpos e territórios pelas transnacionais. É assim que desafiamos o sistema capitalista, patriarcal e racista”, defende Isolda.
Auto-organização: uma estratégia coletiva para a resistência
Miriam Nobre aponta que a auto-organização das mulheres é essencial para mudar a correlação de forças sustentada pelo patriarcado, colonialismo e racismo. Esse processo, segundo ela, passa pelo reconhecimento mútuo e pela valorização das experiências históricas de resistência feminina.
“A auto-organização é sobre nos enxergarmos na nossa história e entender que nossos desafios não são individuais, mas estruturais. É também uma forma de formularmos questões e soluções a partir de nossa própria perspectiva, sem depender das referências impostas pelos homens como régua e medida de tudo”, afirma.
Miriam destaca ainda o papel transformador do movimento estudantil, especialmente nas universidades. “Estive no último EME e vi em uma oficina das estudantes negras, que defender as ações afirmativas na universidade não se limita à inclusão. É sobre mudar a forma como pensamento lá vem sendo organizado, uma batalha pela mudança do currículo, inserindo autoras e experiências que ajudam a construir um pensamento capaz de enfrentar a crise civilizatória em que vivemos.”
Enfrentando a Violência
Ambas as entrevistadas concordam que a violência contra as mulheres é uma ferramenta de controle patriarcal que cresce em reação aos avanços feministas. “Ela se intensifica quando manifestamos nossa vontade e avançamos politicamente. Precisamos nos fortalecer para resistir a essas ofensivas e tornar a violência contra as mulheres completamente inaceitável”, afirma Miriam.
Para Isolda, a construção de um feminismo anticapitalista, internacionalista e popular é o caminho para enfrentar o machismo. Já Miriam propõe que o movimento feminista articule razão e subjetividade para lidar com os medos impostos pelo patriarcado, como o medo da solidão ou da agressão.
“A luta feminista não é linear, mas feita de avanços e retrocessos. É preciso resgatar ensinamentos do feminismo e abrir-se a novas formas de ação e organização para enfrentar um momento histórico tão complexo. Na medida do impossível, continuamos avançando”, conclui Miriam.
O 11º Encontro das Mulheres Estudantes (EME) da UNE vai até domingo (1/12) e na programação inclui debates, plenárias, atos políticos, apresentações culturais e seminários temáticos. >Confira a programação AQUI.