Diretora de Mulheres da entidade, Carol Azevedo, reflete sobre as duas décadas de acúmulo feminista na entidade. Leia:
Há 20 anos as mulheres estudantes constroem os rumos da luta feminista nas universidades brasileiras – no 10º Encontro de Mulheres Estudantes (EME) da UNE isso não seria diferente. Mais de mil estudantes de todo o Brasil semearão, nos dias 7, 8 e 9 de abril em Juiz de Fora, o florescer de outro país pelas mãos das mulheres universitárias. Os EMEs são realizados a cada 2 anos como instrumento de organização da nossa ação feminista nas universidades, onde discutimos, propomos e encaminhamos políticas de combate às desigualdades nesse espaço e fora dele.
Desde o primeiro encontro, realizado em São Paulo em 2005, pautamos a necessidade da nossa auto-organização na UNE, germinando no movimento estudantil demandas reais das nossas vidas. A luta pelo direito ao aborto se enraizou na entidade desde o 2º EME, junto aos debates em relação à autonomia dos nossos corpos e sexualidade, e as mulheres seguiram transformando a universidade no 3º Encontro. Ecoamos em Salvador “Ô abre alas que as mulheres vão passar” no 4º EME.
Em 2013, reivindicamos em Camaçari, na Bahia, que #SomosTodasFeministas. Em 2015, em Curitiba, nossas Vozes Feministas ocuparam as universidades pela democracia. O 7º Encontro em Niterói, foi marcado pela Cultura Feminista Transformando o Brasil. o 8º EME trouxemos a memória de Marielle e organizamos a resistência feminista nas universidades e nas ruas de Juiz de Fora. No 9 EME, em decorrência do período pandêmico, tivemos que reorganizar nossas estratégias e formas de fazer luta, Resistimos para Transformar, defender a vida e derrotar Bolsonaro. Neste 10º reencontro, as feministas em movimento de todo Brasil
vão se reencontrar e semear em Juiz de Fora um Brasil novo!
Hoje, temos o desafio de erradicar a cultura da violência, forjada nos sistema de desigualdades e opressões do capitalismo racista patriarcal. Essa escalada da violência fascista também é fruto dos últimos 4 anos em que nosso país esteve sob direção da milícia e
das forças militares, no comando de Bolsonaro e sua família. Os resultados já temos: aumento recorde do feminicídio, ataques e chacinas nas escolas, operações genocidas nas periferias de todo Brasil justificadas na política de segurança pública, e por aí vai. Por isso, o debate da violência em toda sua dimensão volta a ser uma discussão prioritária para nós.
Enraizando nossa esperança na coletividade e na solidariedade, acreditamos que é neste lugar que encontramos as respostas. É preciso colher e cuidarmos umas das outras. Resgatamos nossa democracia nas urnas, mas precisamos avançar no programa que consiga responder às nossas necessidades. Lutamos contra a fome, contra a exploração do trabalho, contra a violência sobre nossos corpos, contra a escalada fascista, contra o garimpo, contra a lgbtfobia, e o racismo. Defendemos o orçamento público para a educação e as universidades brasileiras.Estamos resgatando nosso país em um processo que é feito a muitas mãos, mas
principalmente, através das mulheres negras, populares, indígenas, quilombolas e trabalhadoras. São elas que sustentam e movimentam a vida e que dedicaram suas vidas nestes últimos anos a semear, cultivar e germinar um Brasil novo!
*Carol Azevedo é diretora de Mulheres da UNE.