Selecionados apresentam foco na ancestralidade, nas memórias populares e nas novas formas de expressão do corpo na arte

A 14ª Bienal da UNE, que acontece de 29 de Janeiro a 02 de fevereiro no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda, selecionou treze trabalhos de Artes do Corpo.

A linguagem explora as múltiplas dimensões da dança, do teatro e da performance, e muitos dos selecionados brincam com isso, afirma a coordenadora da Mostra, Artia, estudante de Dança da UFPE. “Cada trabalho traz muito das vivências que estão em cena e das mãos que estão criando aquele trabalho. São todos muito ricos artisticamente, em questão de elementos e corporeidades, de exploração e implementação das possibilidades de arte”. 

Ela explica que as separações entre dança, teatro e performance são fruto de um processo de colonização das artes. “Quando estamos no terreiro, dançamos, atuamos e performamos sem usar esses nomes. Fazemos tudo isso porque é um processo de vida, algo que precisamos como seres humanos para fazer a roda da vida girar”, explica.

O Corpo Místico e as Memórias Populares

De acordo com o tema da  14ª Bienal “A rua é nosso palco principal”  foram selecionados trabalhos que celebrem as manifestações populares que surgem nas ruas. 

“A temática da rua me traz a lembrança desses corpos místicos e de brinquedo popular que se criam nas ruas. Como a La Ursa aqui de Recife, que me assustava quando era criança. São figuras que pertencem à nossa cultura popular e que nos acompanham ao longo da vida”, relembra.

Ela conta que assim como La Ursa e o Caboclo de Lança, que marcaram sua infância, o espetáculo selecionado  Cazumba, vai contar a história do personagem mascarado do bumba meu boi do Maranhão. O estudante de Ciências Sociais da UFMA João Igor, um dos proponentes do espetáculo, conta que o Cazumba nos arraiais de São João simboliza a limpeza das más energias e a brincadeira, sendo o primeiro a entrar no arraial. Ele ressaltou que a apresentação na Bienal é mais do que uma performance. “ É uma forma de unir estudantes em torno da valorização da cultura popular e da luta por justiça social, refletindo as vozes que clamam por mudança no Brasil”. 

Já o trabalho “Embrulho ou Porque falar de amor” é uma obra do Rio Grande do Sul que vai para o campo das afetividades. “Um trabalho delicado de um estudante transmasculino e não binário que fala sobre memórias da família, tem uma pesquisa com os avós, buscando entender coisas, acho que esse processo de cavoucar a memória, os afetos, os entrelaços que se criam na vida das pessoas é muito bonito e rico”, destaca. 

Oficinas e Vivências

A programação da Bienal traz também uma série de vivências e oficinas que buscam promover o encontro e a troca de saberes. Um dos destaques é a vivência de Vogue e Capoeira, marcada para o dia 30 de janeiro, das 10h às 12h. A oficina será conduzida por Puma Camilê, CEO da Capoeira Para Todes, e abordará as intersecções entre as duas linguagens da dança surgidas nas diásporas dos povos pretos nas Américas.

Já a oficina Dramaturgia dos Orixás, de Agrinez Melo, que acontece às 16h no dia 31 de Janeiro e no Auditório Brum, usa o imaginário de Oxum para desenvolver uma dramaturgia corporal para a cena. 

Debate sobre Espaços Alternativos de Arte e Educação

A Bienal da UNE também promove um debate sobre o fomento a espaços alternativos de arte e educação, com convidados de peso como Puma Camilê, Amir Haddad, Helaynne Sampaio e Agrinez Melo. O debate acontecerá no dia 30 de janeiro, das 14h30 às 16h no Auditório 1 do Centro de Convenções de Pernambuco.

Encerramento com Mostras Convidadas e o Bienaball

O evento será encerrado com o aguardado BienaBall – Ballroom, uma celebração da cultura vogue, que acontece no dia 31 de janeiro, das 16h às 19h no Espaço CUCA. O baile contará com a participação de grupos como Vogue Yapoatan e Kiki House of Kunoichis, e será julgado por um painel de jurados renomados, incluindo Puma Camilê Legbara, Dorot Baixíssima, Chikita Kunoichi, Kunoichi Yuri, Vitória Um Milhão de Acúenda e Hiura Baixíssima.

Programação da Mostras Selecionada de Artes do Corpo

Dia 30 de Janeiro

  • 12h às 12h15: Danças Tradicionais Indígenas
  • 13h às 13h25: Bonde dos Anônimos
    Local: Vernissage da Mostra Tamikuã Txihi de Artes Visuais, Vão Externo do Centro de Convenções de Pernambuco.
  • 16h às 16h30: MEDUSAMUSAMULHER
  • 16h30 às 17h: Negro Passáraro
  • 17h10 às 17h25: Petra: a quase assassina, a quase morta, a quase inexistente
  • 17h30 às 18h: XIRÊ
    Local: Auditório Brum do Centro de Convenções de Pernambuco.

Dia 31 de Janeiro

  • 14h às 14h10: Circo em Festa
    Local: Auditório Brum do Centro de Convenções de Pernambuco.
  • 16h às 16h17: Embrulho ou Por que é tão difícil falar de amor?
  • 16h25 às 16h40: Cazumba – Corpo que Baila no Terreiro
  • 16h45 às 16h51: Nossa ancestralidade
  • 16h55 às 17h10: Entre Tambores e Territórios: Salvador e Recife em Festa
  • 17h15 às 17h30: Asfalto de Ferro
  • 17h35 às 17h45: Se esconder nos santos de barro? Nunca mais!
  • 17h50 às 18h: Meu Suor é a Única Arte?
    Local: Auditório Brum do Centro de Convenções de Pernambuco.

Por Cristiane Tada