Estudantes de diversas partes do país lotaram o Palco São Sebastião, na Fundição Progresso, para acompanhar a abertura da
13ª Bienal da UNE, nesta quinta-feira (2). O festival que reúne diversas atrações culturais e políticas, acontece até domingo (5), no tradicional bairro da Lapa.
Ao som dos batuques e gritos populares da militância, a presidente da UNE, Bruna Brelaz, abriu a bienal destacando a importância dos novos ventos que sopram na atual conjuntura do país. “Essa Bienal da UNE reinaugura um novo ciclo político do país”.
Com o arrefecimento da pandemia e a eleição do novo governo Lula, Bruna Brelaz ressaltou o papel da mobilização estudantil nas lutas contra os impactos do golpe que tirou a presidenta Dilma Rousseff do governo.
“Os estudantes estarão na linha de frente para dizer que queremos democracia, queremos paz, mas que não vamos aceitar de forma alguma que Bolsonaro e seus cúmplices passem impunes”, afirmou.
A Bienal da UNE é um festival de cultura, arte, ciência e tecnologia que mapeia, conecta e apresenta o que tem de mais interessante produzido dentro e fora das universidades brasileiras, incluindo mobilizações políticas. “Essa é a geração que não aceita nenhum tipo de fascismo no Brasil”, salientou Brelaz.
Numa mesa composta majoritariamente por mulheres, a vice-presidente da UNE, Júlia Aguiar, convocou os estudantes a se envolverem mais nas mobilizações política, em busca das mudanças desejadas para o país.

Vice-presidenta da UNE, Julia Aguiar
Foto: @uiseepitacio
“Iniciamos com a mesa de conjuntura para que nós, estudantes brasileiros, façamos uma reflexão sobre a realidade brasileira para organizar a luta estudantil para o próximo período. Temos certeza que a reconstrução do país passa pela mão dos estudantes e da UNE”, assegura.
O painel também recebeu convidados que trouxeram boas notícias para a militância estudantil presente na Fundição. A primeira delas foi anunciada pela secretária de Ensino Superior do MEC, Denise Pires.
“Se tranquilizem. Haverá reajuste nas bolsas, mas não somente nas de pós-graduação. Também haverá reajuste nas bolsas de iniciação científica”. Denise, que também é ex-reitora da UFRJ, foi ovacionada pelos jovens após o anúncio.

Secretária do MEC
Foto: @uiseepitacio
A 13ª Bienal da UNE conta com o apoio da Prefeitura do Rio, que esteve representada na figura do secretário especial da Juventude Carioca, Salvino Oliveira. “Esse evento aqui se trata de sonho, falar sobre possibilidade, sobre futuro. E o nosso empenho [da secretaria] todos os dias é esse”.
Cria da Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, Salvino se emociona ao comentar sobre o principal significado do evento. “Esse encontro aqui é o fim do bolsonarismo, é o fim do que esses quatro anos representaram”, completou.

Na mesma linha do secretário, a coordenadora do Cuca da UNE, Paola Soccas, projetou as soluções e respostas que podem sair da juventude presente no festival. “Esse encontro está sendo feito pra vocês, para mostrar que o movimento estudantil e a luta transformam a vida das pessoas, de verdade”, assinalou Soccas.

Coordenadora do Cuda da UNE
foto: @uiseepitacio
Também participaram da abertura os pernambucanos Vinícius Soares, presidente da Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG) e a diretora de Cultura da UNE, Isa Sena.
Homenagens
Dois membros históricos da militância estudantil, que faleceram recentemente, foram lembrados nas falas das diretoras da UNE, na mesa de abertura. São eles: Arthur Poerner e Pedro Silvan.
A secretária executiva da UNE, Isis Mustafa, também fez uma homenagem e pedido de justiça para a estudante de jornalismo da UFPI, Janaína Bezerra, morta esta semana após sofrer um estupro.
“A gente vai resgatar a memória dela para lutar por mais segurança nas universidades e pela defesa da vida das nossas mulheres na educação”, enfatizou.

Foto: @kboughoff
Um Rio chamado Brasil – Afluentes da reconstrução e desbolsonarização do Brasil
O primeiro debate do festival reuniu parlamentares e representantes de movimentos populares, que apresentaram à juventude militante propostas para recuperar o país dos impactos pós-golpe.
Um dos integrantes da mesa, Léo Péricles, presidente nacional do Unidade Popular pelo Socialismo (UP), acredita que a maioria da população rejeita governos antidemocráticos, ainda que o cenário da última eleição tenha indicado um aumento do bolsonarismo. “A maioria do povo brasileiro é contra a tentativa de volta da ditadura no país”, ressaltou.
O coordenador da secretaria de Trabalho e Renda de Niterói, Brizola Neto, apontou a Petrobras, os investimentos na educação pública e taxação dos mais ricos como saídas para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.
No entanto, o secretário defendeu a cultura como uma estratégia fundamental para superar esses desafios. “A importância de retomar a cultura depois de quatro anos de assasinato da cultura nacional pelo governo Bolsonaro”, acrescentou.
Ainda que a Lei Rouanet tenha seja importante para a ampliação de recursos para o setor cultural, a vereadora Brisa Bracchi (PT) defendeu a criação e destinação de verbas públicas que não sejam reféns da iniciativa privada, nem da renúncia fiscal. “Não dá pra deixar nas mãos das empresas a escolha de qual projeto cultural apoiar”. E emendou: “queremos editais públicos!”.
A primeira professora trans da UFRJ, a deputada estadual Dani Balbi (PC do B), também bateu na tecla da cultura como solução para alcançar as transformações sociais necessárias para o povo, depois dos governos nefastos de Temer e Bolsonaro. “A cultura e a juventude devem reivindicar o papel protagonista e ousado dentro da democracia”, pontuou.
Shows gratuitos nos Arcos da Lapa
Além da programação intensa na Fundição, a 13ª Bienal da UNE traz uma programação musical aberta ao público, nos Arcos da Lapa, no Centro do Rio.
A primeira noite teve o espetáculo azul e encarnado dos tradicionais bois do Festival de Parintins, Caprichoso e Garantido.
Em seguida foi a vez das cantoras Doralyce e da rainha do Tecnobrega, Gaby Amarantos.
Nesta sexta-feira (3) será a vez de BaianaSystem e no sábado (4) a Lapa vai virar um grande Baile Funk, comandado pelo DJ Rennan da Penha. Os shows começam sempre às 20h.
Acompanhe a programação pelo site bienaldaune.com.br