Ato das estaduais paulistas reúne cerca de 20 mil pessoas na marcha contra Tarcísio e por permanência estudantil

Nesta quarta-feira (21/5), a juventude paulista reunida no Largo da Batata deu um grito de basta: contra a falta de financiamento para as universidades estaduais, contra as privatizações e contra a violência policial.

O ato unificado do movimento estudantil, convocado por UNE, UEE-SP e pelos DCEs da USP, Unicamp, Unesp e Unifesp reuniu cerca de 20 mil pessoas que marcharam até as proximidades do Palácio dos Bandeirantes. Impedidos de avançar, os estudantes mantiveram a pressão até serem recebidos por uma comissão do governo. Apesar da abertura ao diálogo, os representantes saíram do encontro sem nenhum indicativo de solução.

A USP está há mais de quatro semanas em greve. O movimento se expandiu para as demais universidades estaduais paulistas, que denunciam desvalorização de servidores, precarização da infraestrutura, privatização com piora dos serviços nos Restaurantes Universitários, condições insalubres ou ausência de moradia estudantil, entre outras questões. A entrega da educação infantil à privatização na cidade de São Paulo também esteve entre as pautas do protesto. A mobilização ainda contou com o apoio de estudantes da FATEC e de servidores dos sindicatos das universidades envolvidas.

Estudantes saíram do Palácio sem compromisso do governo do Estado Foto: Lucas Martins

“Governador, cara de pau, quero a USP do comercial”

A presidenta da UNE, Bianca Borges, foi direta ao confrontar o projeto do governador. Para ela, Tarcísio recorre ao mesmo autoritarismo que a entidade enfrentou durante a ditadura militar. “A USP foi a última universidade do Brasil a implementar as cotas, 5 anos após ultrapassamos os 50% de egressos de escolas públicas, quando finalmente avançamos na democratização das universidades, Tarcísio e a reitoria respondem com precarização e violência.”

E foi enfática sobre o que vem pela frente: “a nossa resposta é mais poderosa. Já são centenas de cursos da USP, Unesp, e Unicamp em greve e a mobilização dos estudantes da FATEC por políticas de permanência só cresce. Hoje é mais um passo da grande mobilização que tomará as ruas de todo o estado de São Paulo por um projeto onde os estudantes estejam no orçamento e tenham dignidade.”

Foto: Lucas Martins

Foto: Yuri Salvador

Moradia digna e comida para comer

Dany Oliveira, diretora do DCE da USP, esclareceu que as reivindicações do movimento atravessam todos os âmbitos da vida universitária. A começar pelo básico: permanência. Sem condições de se manter na universidade, todo o resto fica comprometido.

Ela também conectou as privatizações no Estado que impactam diretamente a vida de juventude dentro e fora do campus. Para Dany, não é coincidência que os estudantes de medicina da USP e da Unicamp estejam na linha de frente contra a privatização da saúde o processo avança por dentro das próprias universidades. O desfecho dessa lógica, ela resumiu: “essas privatizações têm feito com que os estudantes comam larva dentro das universidades [referência ao ocorrido após privatização do RU]. Só queremos ter moradia digna e comida para comer. Não faz sentido as autoridades desse estado tratarem a juventude dessa maneira. Só estamos pedindo diálogo.”

Foto: @GuiFrodo

Orgulho científico, descaso com quem faz a universidade

A repressão começou antes mesmo do ato. A diretora do DCE da Unicamp, Malena Rojas, denunciou que a Polícia Militar tentou impedir a chegada dos estudantes vindos de Campinas. De Limeira, Campinas e Piracicaba, já são mais de 60 cursos em greve.

Para Malena, a contradição é gritante: “a Unicamp tanto se orgulha de sua produção científica, mas não valoriza seus servidores, não expande o serviço de acolhimento a vítimas de violência racial, sexual e de gênero, não garante moradia em Limeira, e precariza a moradia de Barão Geraldo.”

Foto: Lucas Martins

A luta que muda o cenário

Se a repressão uniu as universidades no protesto, são as vitórias concretas que alimentam a persistência do movimento. Giovana Dias, coordenadora geral do DCE da Unifesp, reconheceu que a precarização também marca sua instituição e destacou sobre o que a união estudantil e luta já foi capaz de mudar.

“Na Unifesp tivemos várias conquistas, como os estudantes de Guarulhos que se colocaram na linha de frente contra a privatização do transporte, os estudantes da Baixada que lutaram pela moradia estudantil e conquistaram porque fizeram uma ocupação. Só unidos e organizados conseguiremos mudar a história desse país.”

Foto: @GuiFrodo

O interior também está nas ruas

O espírito de resistência ecoou também na fala da coordenadora do DCE da Unesp, Natália Fernandes, que denunciou mais uma vez a tentativa da PM de impedir que ônibus com estudantes chegassem ao ato. Ela falou em nome dos universitários do interior sem RU, sem moradia estudantil e da juventude vítima da violência policial.

“Por isso, o DCE da Unesp vai ocupar essas ruas para dizer para o Tarcísio que não vamos aceitar essa política de morte, que não vamos abaixar nossa cabeça, que as estaduais unidas vão lutar por mais orçamento para educação.”

Foto: Yuri Salvador

Foto: Lucas Martins