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A cura pela arte: selecionados de Cênicas encenam seus dramas pessoais

09/02/2019 às 17:01, por Diego Guaglianone com edição de Cristiane Tada.

Espetáculo Pulse da UFU foi destaque nas apresentações de quinta-feira (7)

11º Bienal na UFBA em Salvador (BA) recebeu apresentações de teatro de jovens de várias regiões do país

Secundaristas, universitários e pós-graduandos subiram ao palco e levantaram reflexões por meio do teatro durante a 11ª Bienal da UNE. A mostra de Artes Cênicas reuniu estudantes que dão vida a personagens para expor seu trabalho ao público nos espaços da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia – UFBA na capital baiana. Os artistas se apresentaram entre os dias 7 e 9 de fevereiro, conquistando a atenção dos estudantes com questões vividas pela juventude brasileira.

Um dos destaques foi o espetáculo “Manifesto Teatral PULSE!” que expõe ao público a violência vivida por LGBTs, usando como retrato o massacre na boate gay “Pulse” que aconteceu em Orlando (EUA) no dia 12 de junho de 2016. O incidente foi o maior tiroteio em massa na história dos Estados Unidos e um dos maiores incidentes LGBTfóbicos da história recente.

O universitário Vitor Matsuo de 22 anos, interpreta a drag queen Solana, uma das vítimas do ataque. Ele disse que interpretá-la o fez lembrar dos preconceitos que sofria na escola. “Nesse espetáculo, lendo a história de cada pessoa, eu pensei na minha trajetória de vida. Interpretar um personagem LGBT é algo muito importante pra mim”, afirma Vitor.

O estudante contracena com outros jovens de sua turma da Universidade Federal da Uberlândia (MG). Um professor os incentivou a colocar o espetáculo em cena e ajudou a criar cada personagem com base nos medos, inseguranças e vontades de cada aluno. Hoje eles formam o Coletivo Teatro de Viés e estão completando 2 anos da apresentação. “Eu sinto que evoluo junto com o espetáculo. Está sendo uma jornada incrível”, comenta Vitor com o sorriso no rosto presente no final de cada apresentação.

Saída pela arte

Satisfação em atuar também é um sentimento da secundarista Sarah S. Pereira, de 16 anos, que mora em Cascavel (PR). Estreando em um evento de grande porte como a Bienal, a secunda apresenta o monólogo “Ana” que retrata uma menina que sofreu um trauma pelas agressões físicas e psicológicas que ela passou ao longo da vida.
Sarah afirma que a personagem foi inspirada na própria vida e atuar a ajuda encarar seus problemas. “O teatro para mim é o modo de me libertar das pressões que a gente sofre no cotidiano. Eu como mulher, negra, bissexual e acima do peso me liberto quando subo ao palco”, conta Sarah.

“Dentrefora” (RJ) e “Algodão Doce” (PR) também marcaram presença no Teatro do Movimento da Escola de Dança, cativando o público e despertando reflexão pelas temáticas, assim como outro destaque da mostra “Atavisma”, interpretado pela universitária baiana Natália Ribeiro de 25 anos. A apresentação solo da artista retrata a perspectiva da mulher negra sob a ancestralidade. Regado a movimentos corporais, Natália mostra prazer no que faz e diz que poder apresentar algo que pode tocar as pessoas é maravilhoso.

“Eu me sinto completa. O palco mudou minha vida principalmente na relação que eu tinha comigo mesma, como na autoestima e aceitação da pessoa que eu sou. Isso tudo é muito importante para nossa evolução”, diz Natália.

Para a coordenadora da mostra de Artes Cênicas da 11a Bienal da UNE, Daline Ribeiro, é muito gratificante ver o resultado de um extenso trabalho de seleção. “Eu fiquei muito surpresa com essas produções de qualidade feitas por estudantes. A seleção foi toda por vídeo e vendo pessoalmente senti toda a energia do palco e do público. Fico muito feliz em ver isso acontecendo”, afirma Daline.

Para o público e os artistas selecionados, o palco é uma extensão da realidade. Enquanto assiste extasiada uma das apresentações, Daline Ribeiro acrescenta que arte e cultura oferecem um outro modo de ver o mundo para o jovem e completa: “A saída é pela arte”.

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