DCEs, DAs, CAs e UEEs de todo o Brasil se reúnem quinta e sexta na capital paulista

A presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Manuella Mirella, abriu o encontro com um chamado à ação: “Sairemos deste Coneg para ocupar cada sala de aula do Brasil, falando do nosso projeto de país forte e soberano, onde fascistas não têm vez.”

A vice-presidenta, Daiane Araújo, destacou a diversidade política da UNE, reforçando que a entidade é a que aglutina a maior diversidade de forças progressistas do país. Ela lembrou que, em encontros anteriores, os estudantes decidiram pela construção de um plebiscito popular, articulado com movimentos sociais, como uma ferramenta de mobilização e diálogo com a sociedade.

O evento também marcará a convocação do próximo Congresso da UNE, considerado decisivo para renovar a atuação do movimento estudantil. “Vamos construir o maior Congresso da nossa história, mobilizando cada universidade para, em 2026, enterrar o fascismo de vez e eleger um programa popular nas urnas”, afirmou a secretária-geral, Júlia Kopf.

Taxação das grandes fortunas pela universidade pública que a gente quer

A mesa de abertura reuniu lideranças de diferentes espectros políticos, que destacaram o papel da UNE e dos movimentos sociais nas lutas atuais. Leonardo Péricles, da Unidade Popular, enfatizou a necessidade de continuar o combate ao fascismo em várias frentes. Ele expressou apoio ao deputado Glauber Braga (Psol-RJ), alvo de ameaças de cassação, e criticou o “centrão” e a repressão policial no estado de São Paulo, sob o governo Tarcísio de Freitas. Péricles também mencionou a prisão dos golpistas do 8 de Janeiro como um marco na luta contra a extrema direita.

Valério Arcary, professor do IFSP, abordou a questão central de como a esquerda pode reconquistar a maioria social. Ele defendeu a realização do plebiscito pela taxação das grandes fortunas e pelo fim da jornada de trabalho 6×1, além de uma ofensiva política para isolar a extrema direita. Arcary cobrou um “giro à esquerda” do governo federal e destacou o papel da UNE na pressão política: “Com sua autoridade moral, a UNE pode inverter a correlação de forças, mobilizando de baixo para cima e pavimentando o caminho para a reeleição de Lula.”

A vereadora Luana Alves (Psol-SP) reforçou que a unidade política não é abstrata, mas sim construída em torno de pautas concretas. “Temos unidade de ação para defender a classe trabalhadora e combater o golpismo da extrema direita”, afirmou.

Paulo Henrique, da coordenação do Movimento Brasil Popular, destacou a importância de identificar os verdadeiros adversários. “Embora haja inimigos de classe no governo federal, ele não é o inimigo. A unidade da classe trabalhadora é o caminho, e isso se faz com um programa claro: sem anistia aos golpistas, redução da jornada de trabalho, taxação dos bilionários e um plebiscito popular para ouvir o povo.” Ele também defendeu uma UNE mais enraizada nas universidades, capaz de organizar a base estudantil.

Nivaldo Santana, do PCdoB, enfatizou a necessidade de um projeto de desenvolvimento nacional, com mais investimentos em ciência e tecnologia para ampliar o protagonismo do Brasil no cenário global. “Uma entidade plural, unitária e independente como a UNE tem um papel central para alterar a correlação de forças. Não será pelo Congresso ou pelas instituições burguesas que viraremos o jogo, mas com o povo organizado.”