Com DCEs de todo o país, encontro reafirma que a juventude tem um projeto de desenvolvimento para o Brasil 

O maior encontro de DCEs do país abriu nesta sexta-feira (05/6) na Unip-Vila Guilherme, em São Paulo, reunindo representantes de todas as regiões do Brasil.

A abertura contou com estudantes da mesa diretora da entidade e convidados que debateram o tema educação e soberania nacional. Em um auditório lotado, a tônica das falas foi comum: a juventude brasileira tem um projeto para o país, e a educação é sua prioridade. Da defesa do financiamento público à crítica ao corte orçamentário, passando pela luta nas universidades estaduais paulistas e pela disputa política de 2026, os discursos reafirmaram que o movimento estudantil se vê como protagonista na construção de um Brasil mais justo e soberano.

São Paulo na linha de frente

A presidenta da UNE, Bianca Borges, destacou que São Paulo tem sido palco de um embate importante em defesa das universidades estaduais paulistas e em oposição a administração privatista do Estado.

“Queria saudar em especial os diretórios centrais dos estudantes da USP, Unesp e Unicamp que tem estado na linha de frente nesse enfrentamento fundamental contra Tarcísio de Freitas e por universidades verdadeiramente populares.”

Soberania e desenvolvimento nacional

O vice-presidente da UNE, Gutemberg Rodrigues, situou o momento atual em uma longa tradição de defesa da soberania nacional, evocando a campanha do Petróleo é Nosso, a resistência durante a ditadura e a interiorização das universidades federais como conquistas históricas do movimento estudantil. Para ele, a luta de hoje exige uma educação conectada ao desenvolvimento do país:

“Precisamos de uma educação que esteja alinhada ao desenvolvimento econômico, tecnológico e sustentável no nosso país para que a gente não fique mais refém das big techs e do processo de industrialização desse capitalismo que tem destruído o mercado de trabalho e colocado nossos jovens em situações precárias.”

A secretária-geral, Camila Moraes, ressaltou o caráter histórico da presença da juventude trabalhadora no ensino superior.

“Esse espaço não foi feito para nós, filhas e filhos da classe trabalhadora. Se hoje a gente lota esse auditório, com negros e negras, mulheres, com a juventude LGBT, é porque construímos luta e resistência para transformar o ensino superior brasileiro. Somos fruto de um grande processo de mobilização que recebeu e atendeu o chamado da UNE há 88 anos atrás para transformação da educação brasileira a serviço de um novo projeto de país.”

Educação como instrumento de transformação

Samira Fernandes Delgado, Pró-reitora de Extensão do IFRN, saudou a plateia celebrando a persistência da juventude brasileira e defendeu a centralidade dos estudos como instrumento de transformação social:

“Não caiam na falácia que não precisa estudar. Quem não precisa estudar é playboizinho que tem herança de milhões. É a educação que muda a nossa vida e o nosso país.”

Ela também alertou para a importância da disputa eleitoral de 2026, afirmando que garantir o financiamento da educação — e, com ele, a permanência dos estudantes — depende de um Congresso Nacional comprometido com a pauta educacional.

Orçamento cortado, diversidade em disputa

Vivian Mendes, da Unidade Popular, reconheceu as conquistas na diversidade universitária, mas criticou duramente o corte de R$ 1,6 bilhão no orçamento da educação, classificando o momento como uma acirramento da luta de classes:

“Realmente foi com muita luta que a gente garantiu a diversidade na universidade, mas nós não podemos nos calar quando o governo apresenta um corte de 1,6 bilhão no orçamento da educação. A diversidade está em disputa, é luta de classes se acirrando no nosso país. Querem colocar dinheiro no bolso dos banqueiros em vez de garantir assistência estudantil.”

Contra o neoliberalismo, por um projeto mais ousado

O vereador de Campinas e ex-presidente da UNE, Gustavo Petta defendeu um projeto nacional de desenvolvimento vinculado à distribuição de renda e à garantia de direitos, e citou o presidente Lula para embasar seu argumento:

“A UNE sempre esteve nessa trincheira e nós precisamos reforçar essa ideia. O presidente Lula disse outro dia: nós não podemos nos contentar em administrar o neoliberalismo que fracassou no mundo inteiro, nós precisamos de um projeto mais ousado, de um projeto que rompa as amarras do neoliberalismo.”

Petta também defendeu o fim da autonomia do Banco Central e da política de juros altos, que, segundo ele, impede o crescimento do país e retira recursos do orçamento público para áreas essenciais como educação e saúde. Ele encerrou sua fala convocando o movimento estudantil a pressionar por um programa mais avançado, tendo a reeleição de Lula como horizonte estratégico:

“Esse ano temos que juntar todas as nossas energias porque quem é capaz de liderar esse projeto é o presidente Lula e nós precisamos reeleger Lula, e nosso papel é pressionar por um programa ainda mais avançado que possa realmente abrir caminhos para a construção de um país mais justo.”

O Coneg como espaço de definição política

Jessy Daiane, do Movimento Sem Terra, enfatizou que o momento exige dos estudantes não apenas mobilização e organização – que o próprio Coneg já demonstra – mas também a capacidade de propor um projeto político que cada DCE possa defender em sua universidade. ” O Coneg é um espaço de definição política que conecta o debate local ao nacional, levando e trazendo de volta as ideias que os DCEs estão construindo sobre os rumos do Brasil”.

Estiveram presentes também na mesa: Guilherme Cortez, deputado estadual de São Paulo pelo PSOL; Roberta Pontes, presidenta da UBES; Vinícius Soares, presidente da ANPG; e Wesley Gabriel, presidente da UEE-SP.