Por Ryan Rodrigues e Cristiane Tada
Estudantes e convidados debateram formas de atualizar o que é ensinado no ensino superior
O debate sobre “Reforma universitária e o tripé: ensino pesquisa e extensão, os desafios da construção de um currículo para uma nova universidade” foi um dos mais prestigiados nesse primeiro dia (29/7) do 70º Coneg da UNE, realizado na Unip-Vila Guilherme em São Paulo.
O professor de Saúde Coletiva na UFBA, Naomar Almeida Filho, participou por teleconferência e defendeu uma reforma no currículo que deixe menos burocrático o ensino universitário. “A universidade é quem mais cita Paulo Freire, mas quem menos implementa sua visão de ensino”, destacou. Para ele na universidade nada que fuja das normas é aceito, e isso diminui a diversidade acadêmica.

A vice-presidenta da UNE, Daiane Araújo; a presidenta da UNE, Manuella Mirella; e a secretária geral, Júlia Kopf, no debate sobre Reforma Universitária
Naomar também alertou que atualmente a iniciativa privada está cada vez mais próxima das universidades e que é importante tomar cuidado com a mercantilização da pesquisa realizada dentro das universidades.
Já o professor e historiador, Gustavo Gaiofato, em sua fala relembrou a ‘mãe’ da reforma universitária, a Reforma de Córdoba, que serve até hoje de inspiração para as mudanças que a UNE quer ver nas universidades brasileiras. Ele também demonstrou solidariedade aos professores e técnicos universitários, recentemente em greve, defendendo também um maior reajuste da categoria.

O doutorando na UFRRJ, José Fernando, defendeu a ‘curricularização’ da extensão e ressaltou que a reforma universitária desenvolvida pela UNE tenha uma defesa especial da extensão e uma reformulação do que é entendido enquanto extensão. “As universidades em geral investem muito na pesquisa e no ensino, mas que deixam de lado muito vezes a extensão, que é justamente o que leva a universidade até as comunidades”, afirmou.
José lembrou que em 2018 uma normativa do MEC exigiu que as universidades precisam ter no mínimo 10% da sua atuação voltada para a extensão, mas que essa normativa não é o suficiente porque não define de forma clara o que é a extensão e deixa muito aberto para interpretação de cada universidade. “Hoje tudo que não é pesquisa é tratado como extensão na universidade, mas que incluir tudo no mesmo bloco dificulta um debate mais aprofundado sobre a extensão nas universidades”, explicou.
A presidenta da UNE, Manuella Mirella, finalizou dizendo que o Coneg da UNE vai ser o fórum a desenvolver a reforma universitária que o Brasil precisa. “Assim como o debate da reforma universitária não começou aqui, ele não termina aqui. Essa discussão é muito importante”.
Participou da mesa ainda Amanda Mendes, vice-presidenta da ANPG.
A UNE lançou no início de 2024 a Caravana Clima de Futuro, que vai passar por diversos estados do Brasil, tem se debruçado sobre o tema da Reforma Universitária e quer atualizar o currículo da universidade brasileira entre outras mudanças necessárias.
