Leia  também as resoluções de Educação, Conjuntura e Movimento Estudantil aprovadas no maior fórum estudantil da América Latina

O penúltimo dia do 60º Congresso da UNE terminou neste sábado, 19/7, no Goiânia Arena, na capital de Goiás, com as principais diretrizes da entidade aprovadas pela plenária final.

Essa foi a primeira parte do processo de votação que elegeu documentos para Educação, Conjuntura e Movimento Estudantil que nortearão as ações de luta dos estudantes brasileiros no próximo período.

Também foi aprovada uma carta unitária que traz uma agenda de mobilizações em todo o país. Já na próxima semana, 29 de julho, a UNE estará em manifestação em frente ao Banco Central. A data é o dia da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O órgão do Banco Central se reúne a cada 45 dias para definir a taxa básica de juros da economia, a Selic. O Brasil bateu a segunda maior taxa de juro real do mundo, 15%, maior valor dos últimos 20 anos. Para os estudantes, os juros altos figuram como um dos principais entraves para o desenvolvimento.

Mesa diretora da UNE: vice Daiane Araújo, presidenta Manuela Mirella; e secretária geral, Júlia Kopf
Foto: @vitolivr_

No dia do Estudante, 11 de agosto, que também é o dia de aniversário da UNE, a comemoração dos 88 anos da entidade será nas ruas, por uma educação fora do arcabouço fiscal, autônoma e prioridade no orçamento, com o mote “Menos Juros e Mais Educação!”

Na última semana de agosto, um mutirão nacional de mobilização e votação no Plebiscito Popular vai movimentar todas as universidades do Brasil. Em setembro, acontece a entrega oficial do resultado do plebiscito ao governo federal. A consulta vai revelar a vontade da maioria da população sobre a taxação dos super-ricos, o fim da escalada 6×1 e a isenção de imposto para quem ganha até 5 mil.

” É a partir dessa unidade que estamos construindo a UNE a quase 100 anos “, destacou a presidenta da UNE, Manuella Mirella.

LEIA A CARTA DO 60º CONUNE. 

Foto: @brunnomartins

MOÇÕES

Foram aprovadas mais de 40 moções consensuais pelos estudantes em assuntos como em defesa dos povos da Amazônia, em apoio à greve dos professores dos municípios de Salvador e Lauro de Freitas, contra a mineração predatória, por uma nova lei de estágios, entra outras. LEIA NA ÍNTEGRA TODAS AS MOÇÕES. 

Resolução de Educação

O documento defende a retomada da meta de 10% do PIB para a educação pública, o uso dos royalties do petróleo e do Fundo Social do Pré-Sal como fontes de financiamento e a universalização da educação superior pública. Os estudantes defendem também as cotas trans em todas as universidades e anunciam uma caravana nacional por uma Lei Federal de cotas para pessoas trans e travestis, além da ampliação do vestibular indígena. Reivindicam também um orçamento fixo para universidades e institutos federais, afirmando que “é inadmissível que o orçamento das universidades no governo Lula seja menor que o orçamento dos governos reacionários de Temer e Bolsonaro antes da pandemia”. A UNE cobra mudança na política econômica, com taxação das grandes fortunas e fim do orçamento secreto, e exige a criação imediata do INSAES para fiscalizar o ensino privado, entre outras.

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Resolução de Conjuntura

A UNE defende que o Brasil atenda ao chamado palestino por “Boicote, Desinvestimentos e Sanções” e que Lula rompa relações com Israel. Os estudantes também cobram políticas públicas voltadas à juventude negra e periférica, com centralidade em educação, cultura, lazer. A entidade aposta na mobilização para que a esquerda retome o protagonismo político e enfrente a extrema direita sem ceder ao centrão ou ao mercado financeiro, pois “o caminho para o fortalecimento do projeto popular e de isolamento da extrema direita não está em ceder à pressão do mercado financeiro e seus tentáculos”. Os estudantes defendem o aumento real do salário mínimo, a garantia do BPC e dos pisos constitucionais da saúde e da educação, além da regulamentação das redes sociais e da democratização dos meios de comunicação e da internet. Além disso, a UNE seguirá mobilizada no Plebiscito Popular pela taxação dos super ricos e pelo fim da escala 6×1, pois acredita que “os temas centrais do nosso país devem ser decididos pelo povo”.

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Resolução Movimento Estudantil

No texto de movimento estudantil aprovada no 60º Conune, a UNE reafirma o papel histórico de federações, executivas de curso, CAs, DAs e DCEs como protagonistas na defesa da democracia, na resistência ao neoliberalismo e na formulação de demandas específicas de cada área. Esses espaços são reconhecidos como “alicerce concreto da democracia universitária”, e fortalecê-los é visto como parte estratégica do enfrentamento aos retrocessos na educação pública. A UNE se compromete a reconstruir essas entidades onde estiverem fragilizadas, ampliá-las onde já existem e garantir que sejam reconhecidas como referências legítimas do corpo estudantil. “Defender esses espaços é defender o protagonismo estudantil e o projeto político que elegemos e seguimos construindo, nas urnas e nas ruas”. A entidade destaca ainda a tarefa de enraizar sua atuação nas bases e fortalecer seu papel dentro das lutas populares.

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Momento de votação dos delegados levantando seus crachás no 60º Conune Foto: @brunnomartins