Carta final elenca as principais reivindicações dos estudantes depois de três dias de debates e discussões na UERJ

Em busca de um espaço universitário mais inclusivo e seguro, o 5º Encontro LGBT da União Nacional dos Estudantes (UNE) reuniu estudantes de diversas partes do Brasil, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) de 08 a 10 de novembro. A carta política elaborada ao fim do encontro propõe medidas para assegurar a inclusão e permanência de estudantes LGBTI+ nas universidades, com foco em equidade, representatividade e combate à discriminação.

Durante os três dias de evento, os participantes discutiram sobre as barreiras enfrentadas pela comunidade LGBTI+ no ambiente universitário e as estratégias para garantir uma educação emancipadora, acessível e inclusiva. A carta reforça que “não existe democracia plena sem que as pessoas LGBTI+ sejam incluídas e respeitadas”, e afirma o compromisso de lutar por direitos que vão desde cotas para pessoas trans até o fortalecimento de políticas de apoio e combate à LGBTI+fobia.

Secretária geral da UNE, Júlia Kopf, comanda a Plenária Final

A Urgência das Cotas Trans

Um dos principais pontos da carta é a criação de cotas para pessoas trans em universidades, tanto para graduação quanto para pós-graduação. Segundo o documento, a ausência de pessoas trans no ensino superior reflete uma exclusão estrutural e a discriminação que essa comunidade enfrenta em diversos âmbitos sociais, incluindo o mercado de trabalho. A UNE argumenta que instituir as cotas trans é mais do que garantir acesso à educação; é também reconhecer o direito à igualdade de oportunidades e ao desenvolvimento acadêmico.

“A criação de cotas trans representa um compromisso das instituições de ensino com a justiça social e os direitos humanos, permitindo que essas pessoas possam não apenas ingressar, mas permanecer e concluir seus estudos,” reforça o documento.

Inclusão e Permanência para Estudantes LGBTI+

O encontro também abordou o desafio da permanência de estudantes LGBTI+ nas universidades, ressaltando que a discriminação e a falta de apoio são motivos comuns de abandono escolar. Além das cotas para pessoas trans, a UNE defende a ampliação das políticas de assistência estudantil, com bolsas de permanência, moradia, alimentação e apoio psicológico inclusivos. A criação de canais de denúncia específicos e a promoção de debates sobre diversidade nos conselhos universitários também são reivindicados como medidas essenciais para construir um ambiente acadêmico acolhedor e seguro.

No centro, o diretor LGBT da UNE, Adriel Ferreira; secretária-geral da UNE, Júlia Kopf; diretor da UNE, Diego Ferreira

Combate à Exclusão no Mercado de Trabalho

Com uma alta taxa de desemprego entre pessoas trans e outros grupos LGBTI+, o encontro discutiu a necessidade de iniciativas de empregabilidade específicas para a comunidade. Muitos estudantes LGBTI+, especialmente os trans, enfrentam discriminação nas entrevistas de emprego e, muitas vezes, são excluídos do mercado formal. A UNE propõe a criação de programas que promovam a inserção equitativa no mercado de trabalho e combatam a exclusão econômica.

Educação com Respeito e Diversidade

Além das cotas e das políticas de apoio, a carta também reivindica uma educação que respeite e celebre a diversidade. A UNE defende a formação continuada de docentes e servidores sobre temas de diversidade sexual e de gênero e a criação de ambientes acadêmicos livres de LGBTI+fobia. “Queremos uma universidade onde nossas identidades e orientações sejam respeitadas e valorizadas, sem espaço para discriminação,” afirmam os estudantes.

Propostas e Compromissos

O 5º Encontro LGBT da UNE listou oito ações prioritárias, incluindo a implementação de cotas trans, apoio à empregabilidade, fortalecimento de núcleos de apoio LGBTI+ nas universidades, interseccionalidade no combate à LGBTI+fobia, atenção à saúde mental e reformulação curricular que valorize produções de conhecimento do sul-global e a diversidade sexual e de gênero.

Para a UNE, o compromisso é claro: continuar a luta por uma universidade que seja para todos, onde cada estudante LGBTI+ possa não apenas ingressar, mas também permanecer e se desenvolver.

>LEIA AQUI NA ÍNTEGRA A CARTA DO 5º ENCONTRO LGBT DA UNE