Por Paula Coutinho 

Fórum da UNE evidenciou a urgência de políticas inclusivas para garantir que estudantes LGBT possam ingressar e permanecer nas universidades brasileiras

No segundo painel do 5º Encontro LGBT da UNE, realizado na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), representantes e lideranças LGBT discutiram o papel fundamental das universidades e políticas públicas na promoção dos direitos e inclusão da comunidade LGBTI+. Intitulado “Direitos, Legislação e Políticas Públicas nas Universidades”, o painel abordou questões como a necessidade de cotas para pessoas trans, o fortalecimento das políticas de diversidade e inclusão, e o combate à LGBTfobia no ambiente universitário e no mercado de trabalho.

Resistência e Luta por Políticas Públicas Inclusivas

A vereadora eleita Giovana Mondardo, única representante LGBT na Câmara Municipal de Criciúma (SC), abriu a mesa falando sobre a importância das políticas públicas voltadas à valorização e inclusão da comunidade LGBT. Giovana destacou que o fortalecimento de movimentos sociais, como a parada LGBT de Criciúma, que reúne mais de 6 mil pessoas, é um exemplo de resistência em um estado conservador como Santa Catarina. Para ela, tais eventos incentivam a organização de coletivos e o fortalecimento de grupos dentro das universidades, abrindo espaço para o debate e para a luta contra o preconceito.

Giovana também ressaltou que políticas públicas não podem ser tratadas como “debates vazios” e defendeu a integração dessas políticas com o mundo do trabalho e a saúde pública. “Queremos discutir sobre a organização do SUS, o acesso a atendimentos especializados e a capacitação dos profissionais de saúde para um atendimento digno à comunidade LGBT,” afirmou. Ela enfatizou ainda a necessidade de leis municipais que impeçam condenados por preconceito de ocuparem cargos públicos e destacou a importância de uma “rota da diversidade” que respeite a autonomia financeira da comunidade LGBT.

Secretária geral da UNE, Júlia Kopf; diretor LGBT da UNE, Adriel Ferreira; e a presidenta da UNE, Manu Mirella, durante abertura do Encontro

Avanço e Retrocesso das Políticas Públicas

A professora Roberta, representante do sindicato dos trabalhadores do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), destacou que o contexto político influencia diretamente as conquistas da comunidade LGBT. Ela lembrou que a UERJ foi a primeira universidade brasileira a implementar políticas inclusivas para essa população e ressaltou que é fundamental ocupar cargos na política para impulsionar essas conquistas e evitar retrocessos. “Quando o movimento progressista avança, as conquistas se ampliam. Mas quando a extrema direita avança, os direitos são ameaçados,” afirmou. Ela sugeriu que as instituições federais priorizem a implementação de cotas para pessoas trans e a destinação de orçamentos específicos para núcleos de diversidade.

O Papel da Universidade e do Movimento Estudantil

Mariana, coordenadora do Diretório Central dos Estudantes do CEFET, abordou a violência vivida por jovens LGBT e marginalizados, ressaltando o papel fundamental das universidades e do movimento estudantil na promoção das pautas de inclusão e transformação social. Ela defendeu que a educação deve ser uma ferramenta de combate à opressão e que as universidades precisam apoiar esses jovens para que possam se desenvolver em um ambiente seguro e acolhedor.

Em sua fala, Maria, estudante da UFJF-MG, pontuou que a opressão da comunidade LGBT está diretamente ligada à luta de classes e que é essencial lutar contra o sistema capitalista para alcançar a emancipação da classe trabalhadora. Ela reforçou que a comunidade LGBT, em sua maioria, pertence à classe trabalhadora e enfrenta barreiras adicionais de exclusão e preconceito.

Ocupação de Cargos e Perspectivas para o Futuro

Laís do Vale, do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), destacou a importância de figuras representativas como Dani Balbi, primeira deputada trans do Rio de Janeiro e professora doutora da UFRJ, como exemplos de resistência e progresso. Segundo Laís, a presença de pessoas trans em cargos de liderança é essencial não só para as pautas LGBT, mas para abrir espaço para discussões sobre inclusão e diversidade no mundo do trabalho.

Ela também falou sobre a necessidade de as universidades ampliarem políticas de permanência que apoiem a maternidade e paternidade na comunidade LGBT e ofereçam suporte para que estudantes possam completar sua formação sem prejuízo.

Reflexão e Mobilização para o Futuro

Giovana Mondardo encerrou o painel enfatizando a importância de expandir a percepção social a partir das discussões promovidas pelo movimento estudantil. Para ela, popularizar a universidade e torná-la um espaço diverso é fundamental para a construção de um futuro livre de opressões. “A nossa luta hoje é o que permitirá às próximas gerações viverem em um ambiente de igualdade e respeito,” afirmou.

A professora Roberta finalizou reforçando o papel dos institutos federais e das universidades na preparação dos jovens LGBT para o mercado de trabalho, enfatizando que a formação acadêmica e a inclusão são ferramentas de transformação social e pessoal.