Estudantes defendem avanços na democratização do ensino superior e não abrem mão da gratuidade
Nesta terça-feira (22/8) uma sessão da Câmara dos Deputados, em Brasília, discutiu o pagamento de mensalidade em Universidades Públicas. A presidenta da UNE, Marianna Dias, participou do debate defendendo o caráter gratuito e o ensino público de qualidade.
Entenda o porquê a UNE tem essa como a sua principal bandeira:
1- A universidade pública deu certo no Brasil
Nos últimos 13 anos dobraram o número de matrículas nas universidades brasileiras, de 3,7 milhões para mais de 7 milhões. Um setor da população que nunca teve acesso a esse nível de escolaridade, mulheres, negros, estudantes de escola pública hoje não só tem acesso a ela como contribuem para a construção de ensino referenciado para as necessidades da população.
2- Ensino pago não vai resolver nenhum problema
Nem no orçamento da universidade, nem a crise econômica ou diminuir a desigualdade.
O ensino gratuito não é a causa do déficit fiscal, a maior desigualdade que existe no Brasil é acerca da carga tributária. No momento que a universidade caminha para uma democratização irrestrita e que aprovamos um Plano Nacional de Educação que garantia avanços ainda mais significativos e previa um eficaz financiamento por meio de 10% do PIB e os recursos dos royalties do petróleo para a educação, a ideia do pagamento nas públicas é apenas mais um passo da política de Estado mínimo desse governo ilegítimo não eleito.
Medidas como a reforma tributária, a tributação das grandes fortunas e a revisão do pagamento de juros para bancos, seriam sim o caminho para o Brasil voltar a crescer.
3 – Educação não é gasto, é investimento!
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgou recente estudo que a cada R$1 investido na educação pública no Brasil há um retorno no pib de R$ 1,85. Essa mesma educação pública supera os produtos da agropecuária. A título de comparação ainda, o gasto de R$ 1 com juros sobre a dívida pública, segundo o mesmo estudo, gerará apenas R$ 0,71 de crescimento do PIB. Ou seja, o dinheiro gasto com educação de qualidade, como é o caso das universidades federais, além de um excelente investimento dos recursos públicos, gera desenvolvimento para o país.
4 – “Onde passa um boi, passa uma boiada!”
A gratuidade da educação para a UNE é inegociável! Abrindo a porta para a cobrança para os mais ricos, estamos abrindo perigosos precedentes que ameaçam a democratização do ensino. A cobrança de mensalidade ou anualidade na educação é a porta de entrada para a privatização de um serviço que é direito assegurado pela Constituição.
5 – Por uma universidade pública universal e plural
É comprovado que a diversidade, seja de qualquer natureza do ambiente de estudo garante uma riqueza de saberes e aumenta o nível intelectual. Vozes e opiniões de diferentes classes, cores e culturas convivendo entre si garantem uma pluralidade, aumentam o diálogo e enriquecem a produção acadêmica.
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