Bahia e São Paulo empataram na maior quantidade de trabalhos enviados para curadoria

O Nordeste no topo! É o que mostra os números de trabalhos inscritos na 13ª Bienal da UNE que vai acontecer de 02 a 05 de fevereiro, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. Do total de 1293 trabalhos inscritos de toda a federação, 42% vem na região Nordeste.

São 547 trabalhos, com destaque para o Estado da Bahia que teve 138 inscritos e empatou na liderança com o estado de São Paulo.

O Sudeste vem bem atrás com 340 inscritos, com o Rio de Janeiro, estado que sedia esta edição do festival com 117 inscritos.

“O Nordeste é uma região do Brasil que pulsa cultura. É uma alegria saber que os estudantes nordestinos já estão montando suas caravanas rumo ao Rio de Janeiro para voltar com muito aprendizado e experiencias únicas. A Bienal da UNE é incrível e essa não será diferente”, destacou a diretora de Comunicação da UNE, a pernambucana Manuella Mirella.

O tema da 13a Bienal da UNE é “Um Rio chamado Brasil” e para os estudantes nordestinos esse é um tema muito especial, porque remonta ao rio São Francisco que leva água e alimento para o sertão. “E também no lembra do Reuni – programa federal que expandiu as federais para os interiores do Brasil – que foi quando tivemos a oportunidade de entrar na universidade, estudantes do sertão do Nordeste como um todo não tinham como sair de suas cidades e ir para as capitais estudarem. Então um reflexo do Nordeste ser maioria entre as inscrições de trabalho, também é fruto desse investimento”, afirmou.

Para ela a pauta de um Reuni 2.0 deve ser uma discussão quente no festival. “Com mais estudantes tendo acesso a educação, cultura e arte, conseguimos construir um país melhor”, finalizou.

Da Bienal para o mundo

Eva Rocha, conhecida como Cabocla Jurema de Mossoró no Rio Grande do Norte, estudante da UFERSA, será uma das atrações da Mostra de Música Selecionada da Bienal.

No trabalho da jovem ela pesquisa a cura através do canto, o enfrentamento ao machismo, racismo e a intolerância religiosa. “Participar da Bienal será uma janela para eu levar meu canto e a minha pesquisa, e a minha voz, para todos os lugares do Brasil e do mundo. Eu quero que todos os estudantes e principalmente as mulheres pretas possam se identificar e criar coragem de expor a sua arte”.

Para Eva, sua região é sinônimo de uma cultura rica de permanecer, de resistir. “ Estou muito feliz que nossos irmãos e irmãos nordestinos estão indo junto comigo para a Bienal da UNE e que vamos fazer nossas vozes ecoarem. Vamos desmistificar o nosso Nordeste. A nossa cultura é rica, é grande, ela prospera”.

A expectativa é que durante os quatro dias de Bienal o evento movimente mais de 50 mil estudantes, da capital carioca e região metropolitana, e caravanas de universitários, secundaristas e pós-graduandos de norte a sul do país. A programação vai trazer shows, debates, mini-cursos, apresentações culturais e atos políticos.