Beijar nossas companheiras de vida em público, celebrar nossas uniões e famílias, são a cada pequeno avanço, a imposição de uma derrota sob o governo genocida do capitão expulso. Quando falamos em Visibilidade, falamos sobre presença na dinâmica cotidiana, em ser vistas nas ruas, em ser notada na vida, em estar na sociedade.
O dia da Visibilidade Lésbica existe como marco de presença dessas mulheres flamejantes na realidade rotineira da sociedade, mas este ano, mais do que nunca, acontece como ato político de afronte aqueles que não toleram, na diversidade do mundo, a existência de uma vida questionadora, insurgente e reveladora.
A data que celebra o acontecimento do 1º Seminário Nacional de Lésbicas – SENALE lá em 29 de Agosto de 1996, o primeiro grande encontro organizado de mulheres lésbicas discutindo sobre suas realidades, anseios e busca por direitos, mas também joga luz sob todas as vidas de mulheres roubadas pela brutalidade do machismo, lesbofobia e transfobia.
Proclamar o amor em público, demonstrar que o acesso ao corpo feminino de forma apaixonada não é exclusividade do homem, e sim, para todo e qualquer alguém que tenha permissão da mulher, destrói um modo de vida apresentado pela Família Bolsonaro, um modelo agressivo de entender as relações, marcado pela violência e incapacidade de expressar humanidade, amor ou companheirismo.
Uma mulher amar abertamente outra mulher em público, se orgulhar desse amor, significa, para além de um corajoso e poderoso ato político, uma recusa à submissão a um modo de vida que torna a heterossexualidade, cisgeneridade e monogamia um modo compulsório de amar e se relacionar.
Acreditar e disseminar um modo de vida tão restritivo, que quer nada mais que controlar, subjugar, invisibilizar e calar a revolta das mulheres que carregam a existência dessa humanidade, é um ato fascista de pura violência e intolerância. Ato esse que deve ser diariamente combatido, em defesa de nossas vidas, de nossas famílias e de nossos amores.
Neste dia da Visibilidade Lésbica, expresso em todos os outros dias do ano de amor e resistência em público, é nossa vez de defender as reais famílias e vidas brasileiras, carregadas de força, esperança, amor e resiliência, rechaçando tudo que tentam fazer descer por nossas gargantas.
É dia de tirar o que grito que nos sufoca, é dia de beijar quem nos ama e nos acompanhara pelo resto da vida, é dia de falar a Bolsonaro que, nós mulheres, mesmo sendo os alvos centrais da sua política patriarcal e imperialista, resistiremos e arrancaremos dele aquele faixa que nunca o pertenceu. É dia de levantar a voz em cada canto do país, mostrando como nossas vidas sempre foram rebeladas, ousadas e corajosas, e que ninguém vai nos calar.
*Ludmila Brasil é 3ª diretora LGBT da UNE.
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