O dia do Orgulho Lésbico se desenha este ano, mais do que nunca, como um ato de luta e resistência por nossas vidas e direitos. Beijar nossas companheiras de vida em público, celebrar nossas uniões e famílias, são a cada pequeno avanço, a imposição de uma derrota sob o governo genocida do capitão expulso. A data que celebra a vida de Miriam Martinho e Rosely Roth, as primeiras grandes referências no movimento lésbico brasileiro, celebra não só a gênese do Grupo de Ação Lésbica Feminista – GALF, primeiro grupo organizado de lésbicas do Brasil, mas também toda trajetória de luta e mobilização dessas matriarcas das revoltas feministas.
Proclamar o amor em público, demonstrar que o acesso ao corpo feminino de forma apaixonada não é exclusividade do homem, e sim, para todo e qualquer alguém que tenha permissão da mulher, destrói um modo de vida apresentado pela Família Bolsonaro, um modelo agressivo de entender as relações, marcado pela violência e incapacidade de expressar humanidade, amor ou companheirismo.
Uma mulher amar abertamente outra mulher em público, se orgulhar desse amor, significa, para além de um corajoso e poderoso ato político, uma recusa à submissão a um modo de vida que torna a heterossexualidade, cisgeneridade e monogamia um modo compulsório de amar e se relacionar.
Acreditar e disseminar um modo de vida tão restritivo, que quer nada mais que controlar, subjugar, invisibilizar e calar a revolta das mulheres que carregam a existência dessa humanidade, é um ato fascista de pura violência e intolerância. Ato esse que deve ser diariamente combatido, em defesa de nossas vidas, de nossas famílias e de nossos amores.
Neste dia do Orgulho Lésbico, expresso em todos os outros dias do ano de amor e resistência, é nossa vez de defender as reais famílias e vidas brasileiras, carregadas de força, esperança, amor e resiliência, rechaçando tudo que tentam fazer descer por nossas gargantas. É dia de tirar o grito que nos sufoca, é dia de beijar quem nos ama e nos acompanha pela vida, é dia de falar a Bolsonaro que, nós mulheres, mesmo sendo os alvos centrais da sua política patriarcal e imperialista, resistiremos e arrancaremos dele aquele faixa que nunca o pertenceu.
#ForaBolsonaro
#SeOrgulhedoSeuAmor
*Ludmila Brasil é 3ª diretora LGBT da UNE.