A poeta e escritora Cida Pedrosa, vencedora dos prêmios Jabuti e APCA, trouxe o espetáculo ‘Poesia em Frevo’ para o Teatro Guararapes
A 14ª Bienal da UNE começou com muita energia e arte. Na noite desta quarta (29/1), milhares de estudantes de todo o Brasil se encontraram no Teatro Guararapes, no Centro de Convenções de Pernambuco, para dar início ao maior evento estudantil na América Latina.
Depois da abertura oficial, que teve entre as presenças a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e o prefeito do Recife, João Campos, foi a vez da poesia e da música tomarem conta com o espetáculo ‘Poesia em Frevo’, da escritora, poeta e vereadora do Recife, Cida Pedrosa.

Cida Pedrosa/ foto: Maiakovisk Pinheiro
Em mais de quatro décadas de poesia, 11 livros lançados e atuação marcante em movimentos culturais, a artista acumula premiações de peso e grande significado. Em 2022, se tornou a primeira autora pernambucana a receber o prestigiado Prêmio APCA. Antes ainda, em 2020, venceu o mais importante prêmio literário brasileiro, o Jabuti, em nada menos que duas categorias: Poesia e Livro do ano. E em 2024 rompeu as fronteiras brasileiras ao ser a escolhida do Prêmio Literário Guerra Junqueiro, de Portugal.
Acompanhada por um trio de músicos de primeira linha da música pernambucana, Henrique Albino (flauta e sax), Alex Santana (tuba) e Gilu (percussão), Cida revestiu sua forte poesia autoral com um ambiente sonoro de frevos incidentais. “Uma honra enorme estar aqui na abertura da Bienal”, saudou.

Foto: Pedro Caldas
Em conversa com a reportagem, ela ressaltou a relação do tema do evento com sua arte: “O mote da bienal é ‘A rua é nosso palco’, e o frevo tem uma relação direta com a rua, e minha poesia também. Não faço poesia ‘fofa’, porque ela traz a dor da desigualdade e é também instrumento de luta”.
Uma luta que tem na juventude um impulso fundamental. “A UNE sempre foi um espaço progressista e de referência para a luta dos direitos humanos, da democracia e cultura”, afirma. “O movimento estudantil organizado é um grande instrumento, e eu tenho muita fé. A juventude tem um grito de liberdade muito forte pra dar”, conclui.
A apresentação terminou de forma emocionante quando o público, já conquistado pelos versos e pela força da recitação de Cida Pedrosa, entoou os versos do hino do bloco carnavalesco Elefante, que já se tornou o hino informal de Olinda: “Quero cantar a ti essa canção”.
A 14ª Bienal da UNE segue até o próximo domingo (2), com ampla programação de debates, painéis, shows e atividades culturais. Confira tudo nas redes @uneoficial.
Por Felipe Mendes

Foto: Pedro Caldas