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“Vamos barrar essa PEC com força máxima”, por Carina Vitral

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Em sua coluna no site Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim, a presidenta da UNE  fala sobre o movimento de ocupação das universidades e escolas de todo o Brasil

 

A reação do movimento estudantil brasileiro ao desmanche na educação contagiou todo o país. Perderam os que apostaram na passividade da juventude ao assistir ao congelamento do seu futuro, aos cortes de verbas nas universidades, ao autoritarismo de um governo ilegítimo. Em pouco tempo, mais de mil instituições foram ocupadas em uma resposta maiúscula aos ataques de Temer e Mendonça Filho, dispostos a enfraquecer com muita pressa o sistema educacional do país, em nome dos interesses parasitários dos grandes grupos financeiros que desejam lucrar com a crise econômica.

Na réplica, o não governo convocou sua própria tropa, que hoje atende pelo nome de Movimento Brasil Livre, e que foi escalada para ameaçar e mesmo agredir os estudantes mobilizados nas escolas. O clima de ódio foi instaurado, tanto pelas redes sociais como pela convocação de bate paus para tentar entrar nas instituições causar tumulto do lado de fora e tentar enfraquecer o movimento.

Até mesmo a triste morte de um jovem em uma escola de Curitiba, após uma briga, foi utilizada de forma cruel e oportunista pelo MBL em uma estratégia covarde e absolutamente desumana de tentar atingir politicamente as ocupações. Em artigo na Folha de S. Paulo, o governista Kim Kataguiri, líder do movimento, chega à vigarice de acusar as esquerdas de terem causado a morte do adolescente quando o próprio delegado do caso afirmou que o episódio não teve relação com as ocupações. Se não basta violentar, ainda tentam jogar violência no colo dos outros.

Porém, nenhum desses expedientes conseguiu frear a primavera estudantil de 2016, que chegou rapidamente também às universidades. Reitorias, salas de aula, centros administrativos, todos os espaços têm sido tomados em repúdio à proposta cruel da PEC 241 (agora PEC 55 no Senado) e seus efeitos sobre a educação. Aos estudantes se somaram professores em greve, técnicos, servidores, toda a comunidade acadêmica. Uma mobilização tão grande e unificada só teve precedente durante o governo neoliberal de FHC, há mais de 15 anos atrás, que encontrou no movimento estudantil um dos seus principais pontos de resistência.

Se naquele momento a luta já foi intensa, agora a base do movimento estudantil é ainda mais ampla e muito mais representativa. Os que ocupam hoje as instituições de norte a sul são estudantes filhos de trabalhadores, negros, mulheres, indígenas, LGBT, são a juventude que teve acesso pela primeira vez ao direito de entrar para a universidade e que não aceitam a destruição desse espaço. Sabem que são os alvos de um governo cretino o suficiente para, inclusive, ameaçar a juventude com bravatas, ponderando sobre não realizar o próximo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como retaliação às ocupações dos estudantes.

Contudo, as ocupações ganharam o apoio da sociedade, que é em sua grande maioria contrária também à PEC 55, defendida com unhas e dentes apenas pela cara de pau das confederações empresariais, donos de bancos e rentistas que estão por trás dos banquetes promovidos por Temer aos congressistas em patrocínio a essa maldade. As estudantes e os estudantes brasileiros não pagarão o preço do que esse conjunto de senhores quer comer e arrotar. Vamos ocupar tudo, vamos barrar essa PEC com nossa força máxima. Não passarão!


* Artigo originalmente publicado no site Conversa Afiada dia 7/11/2016.

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