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“UNE, 78 anos de luta pela democracia”, por Marillia Rodrigues

Marillia_Memoria

Diretora de Memória da UNE fala sobre a história de luta da entidade

Em 11 de agosto de 1937, foi iniciada a construção da entidade nacional de representação dos estudantes brasileiros, a União Nacional dos Estudantes, que hoje completa 78 anos. O dia 11 de agosto é simbólico por ser a data de fundação dos primeiros cursos superiores do país, de Ciências Jurídicas e Sociais em São Paulo e Pernambuco, em 1827, e por isso é considerado o Dia dos Estudantes. Antes disso, só tinha acesso ao ensino superior quem tivesse condições de viajar para a Europa para frequentar as universidades de lá. Esse recorte socioeconômico não se alterou com a abertura de faculdades no Brasil, já que o acesso ao ensino superior continuou restrito à elite.

Somente com os governos populares de Lula e Dilma, que deram consequência às lutas dos movimentos sociais com a criação de políticas públicas de acesso à universidade, é que a classe trabalhadora e a periferia puderam ocupar os bancos das faculdades do país. É irônico que o primeiro Presidente da República que não possui um diploma de ensino superior tenha sido o que mais ampliou o acesso à universidade em toda a história do Brasil, promovendo uma verdadeira revolução na educação do país, construindo 14 novas universidades federais com o Reuni (com Dilma, já são 18) e incluindo mais de 3 milhões de estudantes com as bolsas do ProUni e FIES. Sem falar na política de cotas, implantada em todas as universidades federais.

Todas essas políticas vêm cumprindo o papel de reparar o quadro de exclusão histórica dessa sociedade racista e classista, que impede que a classe trabalhadora, que as negras e negros se incluam nos espaços de produção de conhecimento e de poder. Porém, ainda há muito para avançar. A ampliação do acesso à universidade trouxe diversos desafios ao movimento estudantil, que passam pela luta pela permanência e assistência desses estudantes, pela regulamentação do ensino superior privado, pela garantia de qualidade e tantas outras questões.

Neste 11 de agosto de 2015, contudo, todas as conquistas que obtivemos e elevaram o patamar de luta dos estudantes brasileiros, estão em risco. A direita organizada impõe uma agenda conservadora que ameaça a democracia, não se furtando de golpes e manobras escusas para aprovar pautas reacionárias, como a redução da maioridade penal, a legalização da terceirização, a lei antiterrorismo, a entrega do nosso petróleo ao imperialismo e uma contrarreforma política. Em meio a essa onda conservadora, o próprio Governo entra em contradição, aplicando cortes orçamentários que atingem em cheio os estudantes, sobretudo a classe trabalhadora, dentro de um questionável “ajuste fiscal”.

Nessa conjuntura, como em outros momentos da história brasileira em que a democracia esteve ameaçada, a UNE tem a tarefa de organizar os estudantes para barrar essa agenda conservadora, representada nos cortes e nas pautas de retirada de direitos em debate no Congresso. Por isso, é importante que o movimento estudantil se mobilize em cada universidade Brasil afora, para que assim consigamos barrar os retrocessos e conquistar cada vez mais direitos, rumo à sociedade justa e igualitária com que sonhamos e construímos diariamente.

*Marillia Rodrigues é estudante de Direito da Universidade Caxias do Sul e diretora de Memória do Movimento Estudantil da UNE.

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