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“Projeto Nacional Antifascista – A causa da nossa geração”

Fellipe Belasquem, estudante de Economia na UFRGS e tesoureiro da UEE Livre fala sobre as alternativas ao recrudescimento do Estado Nacional, o fechamento das fronteiras, e a xenofobia

O neoliberalismo está entrando em mais um ciclo de decadência. O Brexit e a eleição de Donald Trump exemplificam claramente o abandono do projeto neoliberal pelos seus principais expoentes. A resposta das potências à crise do capitalismo tem sido o recrudescimento do Estado Nacional, o fechamento das fronteiras, a xenofobia que culpa o estrangeiro pela crise e o direcionamento das atenções à recuperação da economia nacional. Ou seja, estão tomando força novamente os elementos fundantes dos Estados fascistas.

É comum que o capitalismo lance mão do fascismo como alternativa à direita para as suas crises. Não faltam episódios na história para ilustrar esse fenômeno. Mais uma vez, depois de exaurir a capacidade do mundo em gerar lucros para as minorias burguesas, o capitalismo usa do Estado Nacional forte para controlar as tensões sociais que surgem em função da incapacidade do próprio capitalismo em atender as necessidades dos povos. Funciona mais ou menos assim: o neoliberalismo afrouxa as rédeas para a corrida por lucros exorbitantes, e quando o cavalo não aguenta mais a extenuante marcha a galope, chama-se à cena o fascismo para conter os coices do revoltado quadrúpede explorado ao limite.

E como o fascismo faz isso? Há que se reconhecer a sua genialidade tática. Ele abraça as demandas mais justas do povo (emprego, segurança, moradia, educação) e apresenta soluções rebaixadas que, na verdade, não solucionam o problema. Porém, a ilusão pregada soa como música aos ouvidos das massas incautas. Parece muito óbvio que, se a insegurança chega aos extremos, acaba-se com o problema acabando com o seu “causador”: o bandido. Parece óbvio que, quando não há emprego para todos, a solução mais simples seja expulsar os haitianos, bolivianos, cubanos, e todos que “roubam nossos trabalhos”. O fascismo sabe que os problemas do povo são urgentes, e através de soluções urgentes (porém nada eficazes), ele se apresenta como alternativa.

Mas como se pode afirmar que o neoliberalismo está em decadência enquanto esse mesmo projeto neoliberal floresce novamente na América Latina? Creio que trata-se de uma assimetria que logo adiante não mais existirá. Os neoliberais interromperam os ciclos progressistas na América do Sul apostando no realinhamento com as velhas potências de sempre para retomar os privilégios perdidos. Esse foi o discurso da eleição de Macri e do golpe de Temer. Mas o advento da eleição de Trump e a crise na União Europeia jogam uma pá de cal nesse projeto. Veremos ali adiante, tal qual estamos vendo no mundo, a incapacidade neoliberal em oferecer saídas para a crise e uma nova instabilidade política na região.

É nesse contexto que abre-se a possibilidade para uma nova virada histórica, e, através da análise da conjuntura, temos pistas de que a disputa política posta na ordem do dia será qual o caminho de fortalecimento do Estado Nacional que adotaremos: fascista ou antifascista. O neoliberalismo será atacado por todos, pela direita e pela esquerda, e o seu vácuo será ocupado por um Estado forte, invariavelmente. Nesse cenário, urge que todos aqueles que tenham amor pela humanidade se unam em torno de um Projeto Nacional antifascista, anti-imperialista, multipolar, solidário e humanista.

Abraçar essa causa tem dois efeitos imediatos. Primeiro, colocar o campo progressista na batalha política real, para muito além da luta pela narrativa do golpe (que já está ficando para trás), ou para o isolamento das pautas identitárias (justas, porém restritas). Só estará de fato presente na disputa dos rumos da nação quem entender que a pauta nacional estará fortemente no centro da agenda política. Segundo, porém não menos importante, é que para levantar essa bandeira, basta ser brasileiro, amar o Brasil e os demais brasileiros. É uma bandeira capaz de unificar amplos setores da sociedade, para muito além da esquerda, e com isso reunir força política capaz de vencer a horda fascista.

E vencer a disputa política que se avizinha é essencial não só para estancar a ameaça fascista, mas também para aproveitar uma oportunidade histórica. A única nação que, em que pese suas contradições, segue crescendo em forte ritmo, mesmo em meio ao caos da crise, é uma nação com Projeto Nacional, Estado forte, antifascista, anti-neoliberal e multipolar. Estamos falando da China, que se anuncia como a grande potência do século XXI, e que, caso tenhamos a vigência de um Projeto Nacional brasileiro nos mesmos marcos, pode ser uma aliada fundamental na superação de nossas mazelas históricas. A China tem interesse na construção de um mundo multipolar, prova disso é sua disposição em financiar a reindustrialização da Europa e realização de projetos de infraestrutura em todo o mundo, inclusive no Brasil. Podemos, ao obter êxito na luta do nosso tempo, varrer a ameaça fascista e finalmente emancipar o Brasil.

Para tanto, algumas tarefas se apresentam para o conjunto das forças progressistas e patrióticas. A mais urgente, talvez, seja disseminar o entendimento da centralidade da luta por esse Projeto Nacional. E nisso, os movimentos organizados, como o movimento estudantil, tem um grande papel a cumprir. Os estudantes brasileiros sempre foram linha de frente na defesa das questões nacionais. Essa vocação, aliada à própria condição de disputa da intelectualidade, a partir do momento em que o principal palco de atuação do movimento estudantil são as escolas e universidades, dão aos estudantes um protagonismo ímpar nessa luta.

Unidade em torno de um Projeto Nacional para barrar o fascismo, desenvolver o Brasil, e construir uma nação forte, humanista, justa e solidária. Eis a causa da nossa geração!

*Fellipe Belasquem é estudante de Economia na UFRGS e tesoureiro da UEE Livre.

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