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“Nossa luta tem história: a construção de um Março feminista”

Julia Aguiar, 1ª diretora de Mulheres da UNE, defende o dia 8 de Março e o Encontro de Mulheres Estudantes da entidade como espaços de visibilidade das pautas feministas e de resistência

Faz pouco mais de 100 anos que Março se tornou um mês histórico na luta feminista internacional. Suas raízes vieram da organização de milhares de mulheres trabalhadoras que se colocaram na linha de frente da história para exigir direitos e causar transformações profundas na sociedade. Em março de 2018, além do Dia Internacional de Luta das Mulheres, construiremos o 8º Encontro de Mulheres Estudantes da UNE que tem como tema “Mulheres em Movimento: a resistência feminista nas universidades e nas ruas”.

Vivemos em meio a uma conjuntura de avanço do conservadorismo, de ataques à democracia e de retirada de direitos do nosso povo, aprofundada desde o golpe de estado que afastou do governo a primeira mulher eleita presidenta do Brasil. Os ataques do governo golpista e ilegítimo de Michel Temer tomam forma na esfera política e econômica de maneiras variadas e atingem diretamente a vida cotidiana das mulheres trabalhadoras, seja a partir do pacote de reformas antipovo de Temer, que nos priva do direito a aposentadoria, a saúde, a educação e que rasgam a CLT; seja no aumento do preço do botijão de gás, que tira a comida da mesa de milhares de famílias; seja ainda na construção de uma política de segurança pública militarizada que só leva mais violência para a vida das mulheres, principalmente aquelas que moram nas grandes favelas e periferias urbanas e são, em sua maioria, mulheres negras.

Assistimos também uma crescente judicialização da política brasileira onde os homens das elites, que historicamente ocupam os espaços de poder, mandam e desmandam sobre os rumos do país, a revelia do que quer e pensa o povo brasileiro. Esse processo se materializa na criminalização do ex-presidente Lula, no julgamento seletivo da Lava-Jato e na perseguição das\dos militantes de movimentos sociais – só no inicio desse ano 16 jovens foram detidas por protestar contra as arbitrariedades do judiciário no dia da condenação de Lula, em Porto Alegre. A democracia sempre nos custou caro e nós mulheres nunca exitamos em defendê-la!

Precisamos construir o dia 8 de Março e o Encontro de Mulheres Estudantes da UNE como espaços de visibilidade das pautas feministas, de resistência a esses ataques e de acúmulo de forças para os próximos períodos. A Frente Brasil Popular, composta por diversos movimentos sociais e organizações populares, convocou para Julho o que estamos chamando de Congresso do Povo Brasileiro, partindo do objetivo de construir com o povo e para o povo um projeto de nação. Nós mulheres somos mais de 50% da população brasileira, sabemos que só é possível um projeto realmente feminista e popular se ele for desenhado também por nossas mãos. Nossa tarefa é seguir o rumo das que vieram antes de nós, sem nunca perder do horizonte a destruição do sistema capitalista, racista e patriarcal!

Rumo ao Dia Internacional de Luta das Mulheres, ao 8º Encontro de Mulheres Estudantes da UNE e ao Congresso do Povo Brasileiro!

*Julia Aguiar é 1ª diretora de Mulheres da União Nacional dos Estudantes e estudante da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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