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“Imperialismo do Século XXI: o lobo em pele de cordeiro”

Henrique Domingues, estudante da FATEC e integrante do Comitê Organizador Internacional do XIX Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes reflete sobre a política externa atual

Quando se ouve falar de “imperialismo” quase que automaticamente nossa memória nos remete às aulas de história, quando estudamos aquele punhado de impérios que se levantaram e depois sucumbiram ao longo do desenvolvimento político, social e econômico da humanidade no decorrer dos anos. Império romano, Império persa, Império turco-otomano, entre outros. Todos, em tese, muito distantes da nossa realidade, seja pelo modo como se organizavam ou mesmo pelas centenas ou milhares de anos que separam aqueles tempos dos atuais.

Existem ainda bons exemplos de movimentações que carregam relevantes motivações imperialistas em nossa história recente. Ao final do século XIX e durante boa parte do século XX, guerras foram estimuladas com o objetivo de garantir e expandir a supremacia política, cultural e econômica de países como Inglaterra, Estados Unidos da América, Japão e Alemanha. Sendo as duas grandes guerras mundiais o ápice da violência e da ganância imperialistas, que custaram centenas de milhões de vidas, cidades e países inteiros, deixando marcas e sequelas para toda a eternidade.

Ao contrário do que imaginamos, políticas imperialistas seguem sendo sofisticadas e aplicadas em todo o mundo. O que configura um grave ataque à autodeterminação, soberania, liberdade e independência de países e nações que buscam se estabelecer e desenvolver-se. Sendo o mundo divido entre nações desenvolvidas e subdesenvolvidas, é possível notar que entre os desenvolvidos estão aqueles que atingiram tal patamar através de iniciativas imperialistas. Curiosamente, entre os subdesenvolvidos podemos encontrar as vítimas dos impérios.

O império estadunidense que se amplia cotidianamente após a 2º Grande Guerra, produz exemplos de como desenvolve o caráter imperialista de sua política externa em todo o mundo, com intervenções na Ásia, Oriente Médio, Europa e sobretudo na América Latina. Aqui, começaram primeiro com a Operação Condor, que financiou e respaldou politicamente a ascensão dos regimes militares que assaltaram o poder em diversos países latinos, inclusive no Brasil com o golpe de Estado de 1964. Naquele período, o grande objetivo era neutralizar a influência soviética na região e impor o domínio norte-americano.

Já no século XXI, o movimento se repete: Frente a ascensão de governos populares, democráticos, progressistas e patrióticos o império se articula novamente. Agora com nova roupagem a “Operação Condor 2.0” ou Plano Atlanta, tem por objetivo derrotar o projeto desenvolvimentista soberano de integração e cooperação latino-americana, não mais com a presença de militares mas com todo o apoio da grande mídia, do parlamento e do judiciário. Ignoram-se as regras da democracia e, de maneira “branda”, deslocam governos eleitos em detrimento de uma falsa maioria política. Brasil (2016), Paraguai (2012) e Honduras (2009) são grandes provas.

Há, contudo, valiosos exemplos de resistência no nosso continente. Cuba que segue firme mesmo após meio século de um embargo que a impediu de se relacionar política e economicamente de maneira plena com outros países. E também a Venezuela que passa por um duro ataque midiático e econômico que visa pôr fim à revolução bolivariana responsável por elevar a qualidade de vida de dezenas de milhões de venezuelanos nas últimas décadas. Ante a sanha para controlar as maiores reservas de petróleo do mundo, os EUA esmagam a soberania e a dignidade do povo venezuelano para alcançar os mais obscuros objetivos políticos.

O imperialismo é uma realidade. Conta com aliados nas mais variadas esferas da sociedade globalizada. É fundamental, portanto, que a juventude rompa com o senso comum, com o bombardeio midiático e busque informações para além dos meios tradicionais. Apenas desse modo será possível organizar uma resistência popular que garanta o desenvolvimento das forças produtivas nacionais e de todos os povos. Nossa agricultura, nossa indústria, nossos postos de trabalho, nossos bancos e toda a nossa estrutura deve prevalecer às intentonas imperialistas. Só o próprio povo pode garantir o desenvolvimento que o país precisa.

Caso contrário seguiremos encarando com absoluta normalidade nos locomovermos em nossos veículos “General Motors”, rumo a um cinema para assistir um filme de “Hollywood” e depois comer um sanduíche no “Burger King” em algum “Shopping Center” qualquer.

Que floresça a primavera anti-imperialista. Que vença a soberania dos povos de todo o mundo!

Rumo ao XIX Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes!

*Henrique Domingues é estudante da FATEC e do COI – Comitê Organizador Internacional do XIX Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes.

 

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