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“Fórum Social Mundial 2018: resistir é criar, resistir é transformar!”

Diretor de Relações Internacionais da UNE, Eduardo Corrêa, fala sobre o 14º Fórum Social Mundial que começa em Salvador dia 13 de Março 

Entre os dias 13 a 17 de março acontecerá em Salvador a décima quarta edição do Fórum Social Mundial, o maior espaço para a articulação internacional do movimento social. É a sexta vez que vai ocorrer em nosso país, a última edição em Belém (PA), reuniu cerca de 120 mil militantes de todo o mundo.

O Fórum Social Mundial surge em Porto Alegre no ano de 2001, com o objetivo de apresentar um contraponto ao Fórum Econômico Mundial que ocorria ao mesmo tempo em Davos, na Suíça e construir uma nova alternativa ao avanço das políticas econômicas Neoliberais em todo o Mundo. Acontecimentos como o atentado de 11 de setembro impulsionaram cada vez mais a chamada “Guerra ao Terror”, justificando a intervenção militar e política em países do Oriente Médio o que aumentou o estigma cultural e religioso com os povos desses países.

Importante ressaltar que o Fórum surge junto com a ascensão dos governos progressistas na América Latina, o que explica a esperança de toda uma região que sempre foi alvo da sanha imperialista europeia e posteriormente estadunidense.

Com Hugo Chávez (Venezuela) em 1998, Lula (Brasil) e Néstor Kirchner ( Argentina) em 2003, seguindo nos anos seguintes Rafael Correa ( Equador), Evo Morales (Bolívia), Manuel Zelaya (Honduras), Fernando Lugo (Paraguai) e Pepe Mujica (Uruguai) surgiu uma resistência na AL. Assim, com essa conjuntura, o Fórum foi capaz de impulsionar mudanças e apontar caminhos de conquistas sociais.

Essa será a primeira vez que FSM voltará a América Latina após o processo de retomada das políticas econômicas Neoliberais e o atentado às democracias em nosso continente. A destituição de Zelaya em 2009, um presidente eleito de forma democrática e posteriormente Lugo em 2012 e Dilma 2016.

A conjuntura hoje que nos é dada vai na contramão de 18 anos atrás quando o FSM foi idealizado, com a ruptura democrática em alguns países latinos e a volta de setores da direita neoliberal ao poder, como na Argentina com a eleição de Macri, a instabilidade política e econômica que foi plantada por agentes a serviço do capital na Venezuela, mostram como o imperialismo voltou mais uma vez os olhos para o nosso continente. O que obriga o Fórum Social Mundial a ser muito mais que um espaço de reflexão dos movimentos sociais, é preciso desempenhar um papel de decisão e enfrentamento político, como em 2003 quando milhões em todo mundo atenderam a convocatória que saiu do palco do FSM em Porto Alegre e ocuparam as ruas, às vésperas da invasão do Iraque, empunhando a bandeira da paz. Agora o desafio que nos é dado e defender acima de tudo a democracia e os avanços conquistados no último período, e cabe ao coletivo brasileiro guinar este espaço para tomadas de decisões, defender a educação contra o desmonte que vem sofrendo em toda a América Latina, lutar contra embargos e sanções econômicas e comerciais antigos como o que atinge Cuba e a República Popular da Coreia e os novos que atingem a Venezuela por exemplo, contra a retirada de direitos trabalhistas e previdenciários, que já são realidade no Brasil e na Argentina. Não podemos cometer erros como em Montreal, momento em que fórum recuou e não se posicionou quando a democracia era ferida e a presidenta Dilma sofria um golpe. Para de fato mostrarmos que um outro mundo é possível é preciso entender as contradições que estes governos progressistas, que chegaram ao poder com amplo apoio de setores que constroem este espaço, estavam inseridos. É preciso ter um FSM encaminhativo, que seja capaz de construir a unidade de ação, que tenha em seu norte a defesa intransigente da democracia, e assim defender os povos de todo o mundo.

*Eduardo Corrêa é diretor de Relações Internacionais da UNE e estudante de Jornalismo da UFMA. 

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