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“Expandir e colorir por uma nova universidade pública em São Paulo”

henriquePara o presidente do DCE da Fatec, Henrique Domingues, enquanto as universidades federais abrem suas portas para o povo, a realidade paulista continua seguindo a mesma lógica de duzentos anos atrás

Duas notícias antagônicas, relacionadas às universidades públicas, chamam bastante atenção neste início de ano. A primeira trata do já conhecido caráter elitista da USP (Universidade de São Paulo), na qual metade dos calouros de 2015 estão entre os 20% mais ricos do país. A outra relata uma realidade diferente: na UFPR (Universidade Federal do Paraná), 60% dos ingressantes deste ano são oriundos da rede pública de ensino. O vestibular 2016 da UFPR abre caminhos e comprova as reais possibilidades de popularização da universidade pública.

A primeira escola de ensino superior do Brasil surgiu apenas em 1808, com a vinda da Família Real portuguesa, em fuga das guerras napoleônicas. Desde então, o ensino superior vem servindo às elites e ao sofisticado sistema de manutenção do poder hegemônico da classe mais abastada. Somente nos últimos treze anos, com a ascensão de um Governo Federal de caráter popular e nacional-­desenvolvimentista, é possível notar uma mudança nas políticas para a educação de nível superior. PROUNI, FIES, REUNI e a política de cotas sociais com recorte étnico-­racial promovem notável mudança no perfil do estudante universitário brasileiro.

Entretanto, enquanto as universidades federais abrem suas portas para o povo, a realidade paulista continua seguindo a mesma lógica de duzentos anos atrás. USP, UNESP (Universidade Estadual Paulista) e UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas) atendem juntas menos de 9% dos estudantes universitários de todo o Estado que, de acordo com as estatísticas, compõem a classe mais alta de nossa sociedade. Não há, por parte do Governo de Geraldo Alckmin, nenhuma política concreta de expansão das insuficientes vagas, tampouco a intenção de aplicar a bem ­sucedida política de cotas objetivando a inclusão de camadas mais populares.

No ano passado, comemoramos o avanço que seria a inclusão de parte das vagas da USP no SISU, o Sistema de Seleção Unificada que oferece vagas a candidatos e candidatas participantes do ENEM. Contudo, a medida não necessariamente promoveu inclusão social na Universidade. A alta nota de corte (700) definida pela reitoria para que o candidato do ENEM pudesse se candidatar e a baixa oferta de vagas acabaram impedindo que mais jovens, especialmente os de baixa renda, ingressassem na universidade através deste mecanismo.

Enquanto o Estado de São Paulo evita encarar o problema de frente, buscando alternativas pouco palpáveis, as universidades paulistas seguem como as mais elitistas do país. A Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo é a única instituição pública de ensino superior paulista que passa por um processo de expansão e popularização: 75% dos estudantes fatecanos são oriundos da rede pública de ensino. O cotidiano na FATEC, no entanto, não é dos mais favoráveis. Apesar de ser a mais popular, é a única estadual que não conta com nenhum tipo de política de permanência estudantil e, mesmo sendo a maior dentre todas elas, é a que recebe o menor volume de investimentos, possuindo uma série de insuficiências para aplicar o tripé da educação universitária “ensino­-pesquisa-­extensão”.

Olhar o cenário educacional paulista é mais do que suficiente para entender os conceitos neoliberais aplicados pela gestão tucana no Estado de São Paulo. Os elevados índices de privatização do nível superior (91%) e a franca expansão da rede privada no ensino básico (2600 novas escolas em dez anos) escancaram como os últimos vinte anos do Governo estadual foram voltados para a edificação do livre mercado, o que mantém a histórica hegemonia da classe dominante. Em suma, é um Governo de poucos que trabalha para poucos.

É papel dos estudantes paulistas resistir a esse perverso sistema que promove a exclusão e, sobretudo, a privatização de nossas universidades, escolas e demais serviços públicos estaduais que passam por um sucateamento estratégico para os interesses privados, preparando o terreno e o imaginário popular para redução de investimentos e até mesmo sua possível venda. Ante o avanço conservador em toda a América Latina, fundamental é a defesa intransigente do fortalecimento do Estado e dos serviços públicos, com um democrático controle social, como melhor meio de promoção do desenvolvimento socio­econômico do país.

Para 2016 resistência e luta por mais direitos serão as palavras de ordem!

*Henrique Domingues é estudante da Comércio Exterior, presidente do Diretório Central dos Estudantes da FATEC e diretor da UEE-SP. 

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