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“Depois morre e não sabe porquê!”

Ergon Cugler, diretor de Universidades Públicas da UEE-SP comenta a intimidação de estudantes e professores na Unifesp pela PM durante Audiência Pública

A truculência superou o bom-senso há muito tempo, mas depois do episódio ocorrido na UNIFESP Santos (SP) na última sexta-feira, 11, não há mais nada a se esperar do movimento protofascista que emana da política arbitrária do Governo do Estado de São Paulo contra os direitos da juventude, dos estudantes e de todo povo através da Polícia Militar.

Fim de tarde ensolarada, sexta-feira e universidade pouco movimentada pelo calendário de volta às aulas. Tudo estaria como sempre no campus da UNIFESP Santos se não fosse pela presença de dezenas de viaturas e mais de 100 policiais militares, incluso armados e fardados, em frente a universidade se preparando para participar de etapa da Audiência Pública sobre Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos.

Funcionários, estudantes, professores e moradores da região nem sequer sabiam de tal audiência e foram pegos de surpresa. Coincidência? O ponto é que tal parece ter sido divulgada às miúdas pela região para garantir organização de apenas tal setor da PM com suas pautas, os quais chegaram em bloco e aparentemente dispensados dos postos para tal tarefa.

Tais policiais, alguns fardados, outros a paisana, surpreenderam a comunidade acadêmica com cartazes escrito “Bolsonaro 2018” reivindicando mudar o termo “Ditadura Militar” para “Revolução de 1964”. Tudo isso no mesmo dia em que a União Nacional dos Estudantes comemorava seus 80 anos de existência, com longa luta e resistência à Ditadura Militar que segundo tais policiais nunca existiu.

Não bastasse, os professores ainda alegam que foram ameaçados de morte e tiveram que ouvir frases como “Quando precisarem da polícia, chamem o Batman”, pois “Direitos Humanos são para humanos direitos”.

O ocorrido na UNIFESP é extremamente preocupante, pois a última vez que vimos policiais armados invadindo a universidade com objetivo de intimidar estudantes e professores foi na Ditadura – onde a organização civil e acadêmica era proibida e perseguida friamente.

Ao mesmo tempo, precisamos compreender que o ponto central não está na participação ou não de tais policiais na audiência, pois todos são cidadãos, mas no porte intimidador e excludente por parte de um setor organizado que deveria proteger a população.

Ao fim, como a comunidade acadêmica protestou contra tal abuso, os PMs teriam começado a filmá-los e chamá-los de “vagabundos” gratuitamente.

Investigações deverão ocorrer para apurar se houve de fato ordem “de cima” para tal ação organizada e cabe à sociedade fiscalizar. Mas quem nem suspeita disto ou é muito inocente ou mal-intencionado, pois torna-se cada vez mais evidente o uso do aparato da PM para interesses políticos distantes do bem-estar e zelo do povo. Tal episódio nos demonstra mais do que nunca a necessidade de debatermos o papel dos direitos humanos na educação e também o quanto o discurso de ódio promovido por figuras como Bolsonaro avança na sociedade que se sente confusa e aflita com tanta injustiça. É necessário coragem e estômago!
Aliás, “depois morre e não sabe porquê!”.

*Ergon Cugler é diretor de Universidades Públicas da UEE-SP e estudante de Gestão Empresarial da FATEC Praia Grande.

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